Ciência

Hubble registra 'berçário' cósmico com 30 mil estrelas recém-nascidas

Imagem mostra uma gigantesca cavidade esculpida por estrelas massivas em uma nebulosa localizada a 160 mil anos-luz da Terra

Hubble: imagem revela a nebulosa N44, região de intensa formação estelar na Grande Nuvem de Magalhães (ESA/Hubble e NASA, D. Gouliermis)

Hubble: imagem revela a nebulosa N44, região de intensa formação estelar na Grande Nuvem de Magalhães (ESA/Hubble e NASA, D. Gouliermis)

Publicado em 14 de setembro de 2026 às 18h41.

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Uma nova imagem do Telescópio Espacial Hubble registrou uma enorme cavidade cercada por milhares de estrelas em formação. O cenário está na nebulosa N44, localizada a cerca de 160 mil anos-luz da Terra.

Divulgado em 3 de setembro pela Nasa, o registro mostra uma região onde estrelas massivas modificam as nuvens de gás e poeira ao redor. Ao mesmo tempo que esse processo dificulta o nascimento de estrelas em algumas áreas, ele pode favorecer sua formação em outras.

A imagem reúne quase meio milhão de estrelas. Cerca de 30 mil são jovens e ainda não começaram a fundir hidrogênio em seus núcleos, processo que alimenta estrelas como o Sol.

O que é a nebulosa N44?

Também chamada de LHA 120-N44, a nebulosa está na Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia que orbita a Via Láctea. Vista da Terra, ela aparece na direção da constelação de Dorado.

A enorme cavidade observada pelo Hubble mede aproximadamente 210 por 140 anos-luz. Para comparação, Alpha Centauri, sistema estelar mais próximo do nosso, fica a cerca de 4,4 anos-luz da Terra.

Por causa de suas dimensões e aparência, a estrutura é classificada como uma superbolha, uma grande cavidade formada pela ação de estrelas quentes e massivas próximas de seu centro.

Como estrelas abriram uma enorme cavidade no espaço

As estrelas massivas no interior da N44 liberam poderosos ventos estelares, que empurram material para longe. As mais massivas também terminam suas vidas explodindo como supernovas, lançando ainda mais gás para as regiões externas.

Somados à radiação emitida pelas estrelas, esses processos afastam gás e poeira e ajudam a esculpir a grande cavidade registrada pelo Hubble.

O material deslocado não desaparece. Parte dele se acumula e é comprimida em uma camada densa de gás e poeira ao redor da superbolha. É justamente nessa região que novas estrelas estão se formando.

Destruição também pode favorecer novas estrelas

Esse processo é conhecido como feedback estelar. De um lado, estrelas massivas aquecem, ionizam e dispersam o material ao redor, dificultando o surgimento de novos astros nas regiões mais próximas.

De outro, seus ventos podem comprimir nuvens vizinhas de gás. Quando o material se torna suficientemente denso, pode colapsar sob a própria gravidade e dar origem a novas estrelas.

Na prática, as mesmas estrelas que estão desfazendo parte da nuvem onde nasceram também podem criar condições para uma nova geração surgir em regiões próximas.

N44 pode ajudar a entender como estrelas se formam

Entre as quase 500 mil estrelas registradas na imagem estão aproximadamente 30 mil objetos jovens que ainda não iniciaram a fusão de hidrogênio em seus núcleos.

Antes de atingir essa etapa, esses objetos ainda estão em processo de formação e não chegaram à chamada sequência principal, fase em que estrelas como o Sol passam grande parte de suas vidas.

A concentração desses objetos jovens transforma a N44 em uma região de interesse para os astrônomos investigarem quanto tempo uma estrela leva para se formar.

A nova imagem do Hubble permite observar, em uma mesma região, tanto os efeitos provocados por estrelas massivas quanto o nascimento de uma nova geração de astros.

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