Exoplaneta: cientistas detectaram sinais de uma atmosfera em um planeta fora do Sistema Solar (Freepik)
Redatora
Publicado em 19 de julho de 2026 às 08h38.
Um planeta rochoso localizado na chamada zona habitável de sua estrela apresentou uma forte evidência de que pode possuir uma atmosfera. A descoberta aumenta o interesse dos cientistas por LHS 1140b, um exoplaneta que reúne características consideradas fundamentais para a existência de vida, como superfície rochosa e condições que podem permitir a presença de água líquida.
Os resultados foram publicados na revista Science e destacados pela Nature nesta sexta-feira, 17. Para chegar às conclusões, a equipe detectou hélio escapando da atmosfera superior do planeta, um indício de que ele mantém uma camada gasosa ao seu redor, algo que ainda é raro de ser observado em exoplanetas rochosos.
O exoplaneta LHS 1140b foi descoberto em 2017 e orbita uma estrela anã vermelha localizada a aproximadamente 49 anos-luz da Terra. Os pesquisadores escolheram esse planeta porque modelos computacionais indicavam que sua atmosfera poderia liberar hélio para o espaço, tornando essa assinatura detectável.
Para testar a hipótese, a equipe utilizou o telescópio Magellan Clay, no Observatório Las Campanas, no Chile. O exoplaneta foi observado em duas campanhas, realizadas em 2024 e 2025, por meio da análise da luz que atravessava sua atmosfera durante a passagem em frente à estrela.
Os dados coletados em 2024 revelaram uma quantidade significativa de hélio escapando da atmosfera superior de LHS 1140b. Segundo os pesquisadores, esse sinal reforça evidências de que pequenos planetas rochosos podem manter atmosferas.
Apesar da descoberta, os autores ressaltam que ainda não é possível afirmar que LHS 1140b seja habitável. A presença de uma atmosfera representa apenas um dos fatores considerados importantes para a existência de vida.
O estudo não confirma a presença de água líquida e também não determina a composição da atmosfera mais próxima da superfície.
Os pesquisadores suspeitam que essa região possa conter vapor d'água, dióxido de carbono e outras moléculas, mas essa hipótese ainda depende de novas observações.
Segundo os autores, esse tipo de variação já foi registrado em estudos semelhantes e pode fazer parte do comportamento natural do escape de hélio em exoplanetas. Ainda assim, novas medições serão necessárias para descartar possíveis interferências da estrela hospedeira ou limitações das observações.