Estrelas de nêutrons: sinal prolongado pode trazer pistas sobre os momentos após a colisão (Niccolò Passaleva, Eleonora Troja (ERC BHianca), ESO/VLT)
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Publicado em 2 de outubro de 2026 às 11h55.
Um misterioso clarão de raios X que permaneceu visível por quase 10 minutos pode ajudar cientistas a entender o que acontece após a colisão de duas estrelas de nêutrons. Identificado como EP250704a/GRB 250704B, o fenômeno foi detectado em 4 de julho de 2025. Os resultados da investigação foram publicados nesta quarta-feira, 30, na revista científica Science Bulletin.
Primeiro, satélites registraram uma explosão de raios gama de apenas 0,4 segundo. Em seguida, o telescópio espacial Einstein Probe captou uma emissão de raios X durante cerca de 560 segundos.
Segundo os pesquisadores, essa foi a emissão imediata de raios X mais longa já observada em um evento desse tipo.
Estrelas de nêutrons são remanescentes extremamente densos deixados após a morte de estrelas massivas. Quando duas delas colidem, podem liberar grandes quantidades de energia e produzir ondas gravitacionais, perturbações no espaço-tempo capazes de viajar pelo Universo.
Entre os principais sinais usados para identificar essas fusões estão os surtos curtos de raios gama. Essas explosões altamente energéticas normalmente duram menos de dois segundos.
No evento analisado, esse primeiro sinal teve duração compatível com o esperado. O que surpreendeu os astrônomos foi o comportamento observado logo depois. A emissão de raios X permaneceu ativa por mais de nove minutos, período muito superior ao clarão inicial.
Uma das hipóteses é que a colisão tenha formado um magnetar, tipo de estrela de nêutrons que gira rapidamente e apresenta um campo magnético extremamente intenso.
Nesse cenário, o objeto resultante da fusão continuaria fornecendo energia ao material ao seu redor, prolongando a emissão de raios X. A possibilidade, no entanto, ainda não foi confirmada.
Colisão de estrelas de nêutrons pode ter dado origem ao misterioso sinal EP250704a. Foto: Divulgação/Science Bulletin (Divulgação/Science Bulletin)
Para investigar a origem do fenômeno, a equipe precisava determinar a distância em que ele ocorreu. Para isso, os cientistas recorreram ao Very Large Telescope (VLT), instalado no Chile. A observação precisava ser realizada rapidamente porque o brilho remanescente desses eventos diminui com o passar do tempo.
Os dados permitiram calcular que a luz produzida pelo fenômeno viajou por mais de 6 bilhões de anos antes de chegar à Terra. A equipe também buscou indícios de uma supernova, outra possível explicação para uma emissão prolongada, mas não encontrou sinais desse fenômeno.
Desde que o Einstein Probe foi lançado, em janeiro de 2024, centenas de clarões rápidos de raios X foram identificados em galáxias distantes. Parte deles já foi associada à morte de estrelas muito massivas, enquanto a origem de outros permanece desconhecida.
Os novos resultados indicam que alguns desses fenômenos podem estar relacionados a fusões de estrelas de nêutrons. Também levantam a possibilidade de que emissões prolongadas de raios X ocorram nesses eventos com maior frequência do que se imaginava.
Com isso, esses clarões podem ainda fornecer pistas para a busca por ondas gravitacionais. Ao identificar rapidamente uma emissão desse tipo, diferentes observatórios podem direcionar seus instrumentos para a mesma região do céu e procurar outros sinais produzidos pelo fenômeno.
A equipe pretende agora detectar simultaneamente uma emissão prolongada de raios X e as ondas gravitacionais geradas por uma colisão. A combinação permitiria acompanhar com maior precisão os minutos seguintes à fusão e investigar com que frequência esses eventos produzem magnetares.