Canetas emagrecedoras: estudos investigam possíveis aplicações dos medicamentos GLP-1 em doenças cardiovasculares, renais e hepáticas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 31 de agosto de 2026 às 19h39.
Medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, ficaram conhecidos principalmente pelo tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Mas os efeitos dessas substâncias estão sendo investigados em diversas outras doenças.
Algumas aplicações já receberam aprovação de agências reguladoras, enquanto outras ainda estão em fase de pesquisa. Segundo informações da Reuters, entre as áreas estudadas estão doenças cardiovasculares, renais, hepáticas, respiratórias e neurológicas.
Os medicamentos atuam sobre mecanismos relacionados ao metabolismo e à regulação da glicose. Dependendo do princípio ativo, também podem contribuir para a perda de peso e outros efeitos metabólicos.
A área cardiovascular está entre as que mais avançaram nas pesquisas com medicamentos GLP-1. O Wegovy, da Novo Nordisk, já foi aprovado nos Estados Unidos para reduzir o risco de morte cardiovascular, infarto e AVC em determinados adultos com sobrepeso ou obesidade.
O Mounjaro, da Eli Lilly, também avançou nessa área. Nos Estados Unidos, a tirzepatida passou a ter indicação para reduzir o risco de eventos cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular.
A tirzepatida também é estudada em pacientes com insuficiência cardíaca associada à obesidade.
Os efeitos dos medicamentos GLP-1 também vêm sendo avaliados nos rins. O Ozempic, que contém semaglutida, recebeu aprovação nos Estados Unidos para reduzir o risco de progressão da doença renal crônica e de insuficiência renal em determinados pacientes com diabetes tipo 2.
A tirzepatida também está sendo estudada em pessoas com obesidade e alterações crônicas nos rins.
Outra frente de pesquisa envolve a esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH). A doença pode causar inflamação e danos ao fígado. Em casos mais graves, pode evoluir para fibrose, cirrose e insuficiência hepática.
O Wegovy recebeu aprovação nos Estados Unidos para tratar a MASH em determinados pacientes. Estudos com tirzepatida também identificaram melhora de sinais da doença.
A osteoartrite do joelho também entrou no radar das pesquisas. Em um estudo com pessoas com obesidade e a doença, a semaglutida esteve associada à redução do peso e da dor no joelho. Os participantes também apresentaram melhora da capacidade funcional.
A Eli Lilly, por sua vez, investiga versões orais de medicamentos da classe em pessoas com sobrepeso ou obesidade e osteoartrite.
A classe GLP-1 também avançou no tratamento da apneia obstrutiva do sono.
Em dezembro de 2024, o Zepbound, da Eli Lilly, tornou-se o primeiro medicamento aprovado pela FDA especificamente para tratar determinados pacientes com apneia obstrutiva do sono e obesidade.
A doença provoca interrupções repetidas da respiração durante o sono. A perda de peso pode contribuir para reduzir sua gravidade em muitos pacientes.
Pesquisadores também investigam possíveis aplicações dos medicamentos GLP-1 em condições neurológicas. Um dos exemplos é a hipertensão intracraniana idiopática, doença que pode provocar aumento da pressão dentro do crânio e sintomas como dor de cabeça e alterações visuais.
Os resultados ainda são iniciais e não significam que os medicamentos estejam aprovados para tratar essas condições.
A possível utilização dos medicamentos GLP-1 para transtorno por uso de álcool também está sendo investigada. Estudos iniciais sugeriram que a semaglutida pode reduzir o desejo por álcool. Ainda são necessários estudos maiores para determinar se o efeito pode resultar em um tratamento eficaz.
No caso da doença de Alzheimer, os resultados foram menos animadores. Ensaios clínicos com semaglutida não demonstraram redução significativa da progressão da doença.
A expansão das pesquisas mostra que os medicamentos GLP-1 podem ter efeitos além do controle da glicemia e do peso. No entanto, resultados de estudos não equivalem a indicações médicas aprovadas. Por isso, a recomendação é que cada medicamento deve ser utilizado apenas nas situações previstas em sua bula e com acompanhamento profissional.