FDA amplia indicação do Mounjaro após resultado sobre infarto e AVC (Jakub Porzycki/NurPhoto/Getty Images)
Repórter
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 10h59.
A FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, autorizou o Mounjaro para a redução do risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) em adultos com diabetes tipo 2 e maior risco cardiovascular. A decisão amplia o uso aprovado do medicamento da Eli Lilly no mercado americano.
Até então, o Mounjaro tinha indicação nos Estados Unidos para auxiliar no controle da glicose em pessoas com diabetes tipo 2. O medicamento tem como princípio ativo a tirzepatida, molécula que atua nos receptores dos hormônios GIP e GLP-1, associados à regulação da glicemia e do apetite.
A mesma substância também é comercializada nos Estados Unidos sob a marca Zepbound, voltada ao tratamento da obesidade. A nova autorização do Mounjaro, porém, está relacionada ao risco cardiovascular entre pacientes com diabetes tipo 2.
Canetas emagrecedoras turbinam vendas nas farmácias, mas não a bolsaSegundo a Eli Lilly, a FDA considerou resultados de um estudo que colocou o Mounjaro em comparação direta com o Trulicity, medicamento da própria farmacêutica utilizado no tratamento do diabetes.
No estudo, o Mounjaro registrou redução 8% maior no risco de eventos cardiovasculares adversos graves, entre eles infarto e AVC, na comparação com o Trulicity.A autorização também insere o medicamento em uma frente de expansão das indicações de terapias que atuam sobre o GLP-1. Fabricantes desse segmento passaram a buscar aprovações para condições que vão além do controle do diabetes e da obesidade.
A Novo Nordisk obteve, em 2024, autorização da FDA para o Wegovy, medicamento à base de semaglutida, reduzir o risco cardiovascular em adultos com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular.
Em 2025, a FDA também autorizou o Rybelsus, versão oral da semaglutida indicada para diabetes tipo 2, para a redução do risco de eventos cardiovasculares graves em determinados pacientes.
A tirzepatida faz parte de uma geração de medicamentos que reproduzem a ação de hormônios liberados pelo organismo após a alimentação. A molécula estimula a liberação de insulina quando os níveis de glicose estão elevados, retarda o esvaziamento do estômago e interfere em mecanismos cerebrais relacionados à saciedade.
Uma das diferenças em relação à semaglutida está nos receptores envolvidos. Enquanto a semaglutida atua sobre o GLP-1, a tirzepatida tem ação simultânea sobre os receptores de GLP-1 e GIP.
Esses medicamentos passaram a ser utilizados primeiro no tratamento do diabetes e depois receberam indicações relacionadas à obesidade. Estudos também passaram a avaliar o uso dessas moléculas em condições cardiovasculares, renais e hepáticas.
No Brasil, a Anvisa autoriza o Mounjaro para o tratamento do diabetes tipo 2 e para o controle crônico do peso.
No tratamento do diabetes, o medicamento deve ser utilizado como complemento à dieta e à prática de exercícios. Desde abril de 2026, a indicação brasileira para diabetes também abrange crianças e adolescentes a partir dos 10 anos.
Para perda e manutenção de peso, o medicamento pode ser prescrito em associação a uma dieta de baixa caloria e ao aumento da atividade física. A indicação contempla adultos com obesidade, definida por índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m².
O tratamento também pode ser indicado a adultos com sobrepeso e IMC igual ou superior a 27 kg/m² quando houver ao menos uma condição relacionada ao peso. Entre elas estão hipertensão, colesterol alto, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
A decisão da FDA sobre a redução do risco de infarto e AVC não altera automaticamente as indicações do Mounjaro no Brasil. Para que esse uso passe a constar na bula brasileira, a indicação cardiovascular precisa receber autorização específica da Anvisa.