Pinguins: coletes de cobre e zinco ajudam a proteger ferimentos durante a recuperação dos animais (Freepik)
Redatora
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 07h03.
Pinguins feridos no Chile estão recebendo coletes feitos sob medida durante o tratamento de lesões. As peças são produzidas com um tecido que incorpora fibras de cobre e zinco. A iniciativa foi divulgada pela Associated Press na última quarta-feira, 2.
A técnica foi adaptada de roupas terapêuticas utilizadas no tratamento de animais domésticos. Nos pinguins-de-Humboldt (Spheniscus humboldti), o colete cria uma barreira física sobre a área lesionada e dificulta o acesso com o bico.
O tecido também possui propriedades que podem favorecer a recuperação. O cobre e o zinco ajudam a inibir o crescimento de bactérias e fungos na região protegida. O zinco ainda participa da formação de novos vasos sanguíneos, processo relacionado à regeneração dos tecidos.
Os profissionais responsáveis pelo atendimento acompanham a resposta das aves ao método. Segundo Tomás Pino, veterinário da organização Conservación Humboldt, os primeiros pinguins tratados toleraram bem os coletes, e a equipe observou melhora no aspecto das lesões.
Os centros de reabilitação de animais marinhos no Chile recebem pinguins encontrados em diferentes situações ao longo da costa. Entre os casos estão aves presas em redes de pesca e animais atingidos por hélices de embarcações.
Esses acidentes podem provocar cortes e outras lesões que exigem tratamento veterinário. A falta de alimento também pode deixar os pinguins debilitados e dificultar a recuperação.
Outro problema aparece durante o próprio tratamento. Com o pescoço flexível, as aves conseguem alcançar diferentes partes do corpo com o bico. Isso permite que retirem pontos cirúrgicos ou voltem a machucar áreas que ainda estão cicatrizando. O colete foi desenvolvido justamente para dificultar esse acesso sem impedir a movimentação dos animais.
Os pinguins-de-Humboldt vivem principalmente nas regiões costeiras do Chile e do Peru. A espécie é considerada vulnerável e enfrenta pressões relacionadas às atividades humanas e às mudanças ambientais.
Levantamentos realizados em importantes áreas reprodutivas do Chile registraram uma redução de 63% nos ninhos ativos em 2024 e 2025. A comparação considera os mesmos locais três anos antes.
Além dos acidentes com equipamentos de pesca, as aves enfrentam problemas como poluição por plástico, doenças e competição com a atividade pesqueira por alimento.
As condições do Oceano Pacífico também influenciam a disponibilidade de alimento para os pinguins. O El Niño altera a temperatura e a dinâmica das águas, modificando a distribuição de espécies marinhas.
O fenômeno pode dificultar a localização dos peixes de águas frias que fazem parte da dieta das aves. Quando o alimento fica mais difícil de encontrar, os adultos precisam percorrer distâncias maiores em busca de comida.
Durante a reprodução, esse deslocamento pode aumentar o período em que os pais permanecem longe dos ninhos. Filhotes e animais debilitados ficam, assim, mais vulneráveis à escassez de alimento.
Nesse cenário, os coletes representam uma alternativa para auxiliar a recuperação dos pinguins encontrados feridos. A conservação da espécie, porém, depende também da redução das ameaças presentes no ambiente natural.