Ciência

Pílula do Ozempic fracassa em testes contra Alzheimer

Droga da Novo Nordisk não retardou o declínio cognitivo em dois estudos avançados; ações da farmacêutica caíram 8,4% em Copenhague

Publicado em 24 de novembro de 2025 às 08h41.

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou nesta segunda-feira, 24, que a versão em pílula do Ozempic falhou em dois grandes estudos avançados que investigavam o uso do remédio para o tratamento do Alzheimer. Segundo a empresa, os pacientes que tomaram o comprimido não apresentaram melhora na progressão da doença com base em avaliações cognitivas.

O medicamento testado foi o Rybelsus, versão oral do semaglutida atualmente aprovada apenas para diabetes tipo 2. Assim como o Ozempic e o Wegovy, o Rybelsus é um agonista de GLP-1, substância que já alcançou sucesso no mercado de obesidade.

A expectativa da empresa era expandir o uso da classe para o tratamento do Alzheimer, um mercado de grande potencial onde ainda há poucas opções eficazes. Com os resultados negativos, a Novo Nordisk descartou a continuação do estudo de extensão planejado.

Por que a Novo Nordisk testava o Ozempic contra o Alzheimer

A Novo Nordisk passou a investigar o uso do semaglutida (substância ativa do Ozempic) no tratamento do Alzheimer após dados observacionais indicarem menor incidência da doença em pacientes diabéticos que usavam agonistas de GLP-1.

Uma análise em registros de saúde da Dinamarca revelou que pacientes que usaram versões anteriores da classe, como o liraglutida (Victoza), tinham até 20% menos risco de desenvolver demência. Isso levou à hipótese de que os efeitos anti-inflamatórios, neuroprotetores e vasculares do medicamento poderiam retardar o declínio cognitivo.

Estudos posteriores com mais de 1,7 milhão de pacientes diabéticos reforçaram essa associação: o risco de demência relacionada ao Alzheimer foi 46% menor com semaglutida em comparação ao uso de insulina.

Com base nesses dados, a empresa lançou os estudos clínicos EVOKE e EVOKE+, que avaliavam se o Ozempic em comprimido retardaria a progressão da doença em estágios iniciais. Os testes, no entanto, não demonstraram eficácia clínica, e a farmacêutica agora cancela a extensão de um ano dos estudos.

Após a divulgação dos resultados, as ações da Novo Nordisk recuaram mais de 8,4% na bolsa de Copenhague.

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