Só 23% das empresas têm plano de sucessão para CFO; o que isso revela sobre a carreira em finanças (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 10h48.
Apenas 23% das empresas possuem um plano de sucessão para o cargo de CFO, segundo a edição 2025 da CFO Survey, da Deloitte. O levantamento ouviu 105 líderes de finanças de grandes empresas brasileiras entre outubro e dezembro de 2024.
O dado mostra que a preparação para a próxima geração de líderes financeiros ainda não está estruturada em boa parte das organizações. 65% dos entrevistados afirmaram que não existe um plano de sucessão para o cargo, enquanto outros 12% disseram desconhecer a existência de um planejamento.
Para quem busca chegar ao comando da área financeira, o cenário também chama atenção para uma mudança no perfil esperado de um CFO. A experiência técnica continua sendo necessária, mas já não é suficiente para definir a preparação para o cargo.
Uma pesquisa da Deloitte com 200 CFOs de grandes empresas da América do Norte identificou cinco lacunas que podem dificultar a chegada de profissionais de alta performance ao cargo: comunicação e presença executiva, capacidade de influenciar decisões, experiência operacional, desenvolvimento de equipes e liderança estratégica.
O levantamento aponta que profissionais tecnicamente preparados podem precisar ampliar sua experiência para atuar como líderes de toda a organização, e não apenas como especialistas da área financeira.
Na prática, isso significa participar de decisões que envolvem diferentes áreas do negócio, apresentar informações financeiras de forma clara para outros executivos e conectar números a decisões estratégicas.
Outro levantamento, da Egon Zehnder, reforça essa mudança. Entre mais de 100 CFOs entrevistados em 2026, liderança, visão de negócios, comunicação, conhecimento financeiro e gestão de stakeholders aparecem entre as principais características buscadas em sucessores.
Experiência operacional também ganhou relevância. Em pesquisa da Deloitte com CFOs, 37% apontaram essa experiência como um dos principais fatores na identificação de possíveis sucessores, seguida por familiaridade com novas tecnologias e capacidade de liderança de redes internas, ambas citadas por 30%.
O caminho até a posição de diretor financeiro tende a exigir uma combinação de competências técnicas, estratégicas e de liderança. Entre os pontos que podem fazer parte dessa preparação estão:
A transformação tecnológica também está ampliando essas exigências. Pesquisa global da EY publicada em 2026, com 1.610 CFOs, diretores financeiros e líderes de finanças, mostra que 68% dos entrevistados consideram necessário desenvolver novas habilidades e estilos de liderança para permanecerem efetivos.
Para profissionais que estão construindo essa trajetória, o ponto central é ampliar o repertório para além da execução financeira. A preparação para posições de liderança envolve combinar conhecimento técnico com experiência em estratégia, pessoas, operações e tomada de decisão.