Estrela TOI-5882: excesso de lítio revelou pistas de um possível engolfamento planetário (NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI))
Redatora
Publicado em 17 de julho de 2026 às 08h33.
Uma estrela semelhante ao Sol, localizada a cerca de 1.300 anos-luz da Terra, pode ter engolido um de seus próprios planetas. A principal evidência foi encontrada na composição química do astro, que apresenta uma quantidade excepcionalmente alta de lítio, elemento considerado uma importante pista de que material planetário foi incorporado à sua atmosfera.
A descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade de Michigan e publicada na revista científica The Astrophysical Journal. Segundo os cientistas, o caso ajuda a compreender como ocorre o chamado engolfamento planetário, fenômeno em que uma estrela absorve um planeta que orbitava ao seu redor.
A estrela, chamada TOI-5882, chamou a atenção dos pesquisadores por apresentar níveis de lítio muito acima do esperado para um astro com suas características.
Embora as estrelas contenham naturalmente pequenas quantidades desse elemento, os planetas costumam concentrar muito mais lítio. Por isso, um enriquecimento incomum pode indicar que material planetário foi incorporado à estrela após a destruição de um planeta.
Como o processo acontece rapidamente em escala astronômica, geralmente em poucos dias ou semanas, os cientistas dificilmente conseguem observá-lo diretamente. Em vez disso, procuram vestígios químicos que permanecem após o desaparecimento do planeta.
Para confirmar que o sinal era realmente incomum, a equipe comparou a TOI-5882 com outras 62 estrelas de idade, massa e temperatura semelhantes. Independentemente do método de análise utilizado, a estrela apresentou níveis de lítio superiores aos observados em pelo menos 97% das estrelas analisadas.
Os pesquisadores acreditam que o próprio tamanho da TOI-5882 ainda não seria suficiente para explicar o desaparecimento do planeta, já que ela ainda não entrou na fase final de sua evolução.
Por isso, o estudo aponta outra possibilidade: uma anã marrom que orbita a estrela pode ter alterado a trajetória do planeta e o lançado em direção ao astro.
Esse objeto possui mais de 20 vezes a massa de Júpiter, mas não é grande o suficiente para iniciar as reações nucleares que caracterizam uma estrela. Segundo os autores, sua influência gravitacional pode ter sido decisiva para provocar a colisão.
Com base na quantidade de lítio encontrada, os pesquisadores estimam que o planeta destruído possuía uma massa entre algumas vezes a da Terra e a de Netuno.
A equipe utilizou espectroscopia, técnica que analisa a luz emitida pelas estrelas para identificar sua composição química. Foi essa metodologia que permitiu detectar o excesso de lítio e reforçar a hipótese de que o astro absorveu um planeta.Os cientistas destacam que a TOI-5882 é uma das raras estrelas capazes de preservar esse tipo de evidência química por tempo suficiente para ser detectada. O estudo também identificou outras estrelas com concentrações elevadas de lítio, indicando que o engolfamento planetário pode não ser o único mecanismo capaz de produzir esse enriquecimento químico.
Segundo os pesquisadores, o engolfamento de planetas também faz parte da evolução prevista para o Sistema Solar.
Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o Sol deverá entrar na fase de gigante vermelha, expandindo seu tamanho de forma significativa. Nesse processo, a estrela deverá engolir Mercúrio, Vênus e, possivelmente, a Terra.