Sistema Solar: observações de um exoplaneta podem ajudar a entender seu futuro (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 5 de julho de 2026 às 10h00.
Astrônomos identificaram uma nova pista sobre o destino do Sistema Solar quando o Sol chegar ao fim de sua vida, evento previsto para ocorrer daqui a cerca de 5 bilhões de anos. Observações de um exoplaneta que sobreviveu à morte de sua estrela sugerem que gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno, podem continuar existindo por bilhões — ou até trilhões — de anos mesmo após o astro se transformar em uma anã branca.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Northwestern, da Universidade de St Andrews e de outras instituições internacionais. Publicado na revista Nature na última quarta-feira, 1º, o estudo utilizou observações do Telescópio Espacial James Webb para investigar o exoplaneta WD 1856 b, localizado a cerca de 80 anos-luz da Terra.
O WD 1856 b foi descoberto em 2020 orbitando uma anã branca — o núcleo remanescente de uma estrela semelhante ao Sol após sua morte.
O planeta completa uma órbita em apenas 34 horas e está a menos de 3 milhões de quilômetros da estrela, uma distância extremamente pequena para um corpo que, em teoria, deveria ter sido destruído durante a fase em que sua estrela se expandiu e se tornou uma gigante vermelha.
Segundo os pesquisadores, trata-se de um dos sistemas planetários mais incomuns já conhecidos.
Para entender como esse planeta conseguiu sobreviver, a equipe utilizou o Telescópio Espacial James Webb para medir sua massa, temperatura e composição atmosférica.
As observações mostraram que o WD 1856 b possui entre quatro e onze vezes a massa de Júpiter e apresenta temperatura próxima de 127 °C, cerca de 240 °C acima do esperado caso fosse aquecido apenas pela anã branca.
O telescópio também detectou indícios de metano e pequenas partículas na atmosfera do planeta, informações consideradas importantes para reconstruir sua história.
Os pesquisadores analisaram duas explicações para a presença do planeta tão próximo da anã branca. Na primeira hipótese, o planeta teria sido engolido quando sua estrela entrou na fase de gigante vermelha e, de alguma forma, sobreviveu ao processo.
Na segunda, ele permaneceu em uma órbita distante durante a morte da estrela e, bilhões de anos depois, interações gravitacionais com outros corpos do sistema alteraram sua trajetória, aproximando-o da anã branca. Os resultados favorecem essa segunda hipótese.
Segundo os autores, tanto a temperatura quanto a quantidade de metano observadas na atmosfera indicam que o planeta provavelmente migrou para perto da estrela cerca de 1 bilhão de anos atrás, muito tempo após sua transformação em anã branca.
Os pesquisadores afirmam que o sistema WD 1856 pode servir como um modelo para entender o que poderá acontecer com o Sistema Solar. Daqui a aproximadamente 5 bilhões de anos, o Sol deverá esgotar seu combustível, expandir-se até a fase de gigante vermelha e engolir Mercúrio e Vênus. O destino da Terra ainda permanece incerto.
Depois dessa fase, a estrela perderá suas camadas externas e se transformará em uma anã branca. Segundo os autores, Júpiter, Saturno e os demais planetas mais distantes provavelmente sobreviverão. Inicialmente, suas órbitas deverão se expandir para cerca do dobro da distância atual em relação ao Sol.
O estudo também levanta a possibilidade de que, ao longo de bilhões de anos, algum desses planetas possa migrar para uma órbita muito mais próxima da futura anã branca, em um processo semelhante ao observado no sistema WD 1856.
No entanto, nem todos os pesquisadores concordam com a interpretação dos resultados. Especialistas que não participaram do estudo afirmam que serão necessárias novas observações para confirmar se o aquecimento identificado realmente ocorreu durante a migração do planeta e para compreender melhor sua evolução.
Ainda assim, o trabalho oferece uma das evidências mais detalhadas já obtidas sobre como sistemas planetários podem continuar existindo muito tempo depois da morte de suas estrelas e ajuda a compreender o possível futuro do Sistema Solar.