Cyclospora: parasita transmitido por alimentos contaminados provoca surto de diarreia nos Estados Unidos (CDC/Reprodução)
Redatora
Publicado em 16 de julho de 2026 às 23h48.
Última atualização em 17 de julho de 2026 às 06h42.
Um surto de ciclosporíase, infecção intestinal causada pelo parasita Cyclospora cayetanensis, pode ser muito maior do que indicam os dados oficiais nos Estados Unidos.
Embora milhares de casos já tenham sido registrados pelas autoridades de saúde, especialistas afirmam que a doença costuma ser subdiagnosticada e que o número real de pessoas infectadas provavelmente é bem mais alto.
De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), há cerca de 7 mil casos potenciais da infecção, sendo mais de 3,3 mil apenas no estado de Michigan. As autoridades locais apontam a alface contaminada como a principal suspeita de ter provocado o surto, que ainda pode se espalhar para outras regiões do país.
Segundo especialistas destacados pela WIRED, muitos pacientes com diarreia não procuram atendimento médico, principalmente quando os sintomas parecem leves.
Mesmo entre aqueles que buscam assistência, a ciclosporíase frequentemente passa despercebida, uma vez que o parasita não faz parte dos exames laboratoriais mais comuns para doenças gastrointestinais. Com isso, os registros oficiais podem representar apenas uma parcela das infecções.
Outro fator de preocupação é a duração dos sintomas. Diferentemente de muitas infecções transmitidas por alimentos, que costumam desaparecer em poucos dias, a ciclosporíase pode provocar episódios de diarreia por semanas.
O parasita é encontrado principalmente em frutas, verduras e ervas consumidas cruas, como alface e frutas vermelhas.
Especialistas explicam que a Cyclospora consegue aderir às pequenas irregularidades da superfície desses alimentos, dificultando sua remoção durante a higienização. Além disso, o organismo apresenta resistência a desinfetantes utilizados na indústria alimentícia, incluindo produtos à base de cloro e água sanitária.
Embora a lavagem dos vegetais seja recomendada para reduzir outros tipos de contaminação, essa prática nem sempre elimina completamente o parasita. Para os especialistas, o cozimento é capaz de destruí-lo, mas essa alternativa não se aplica à maioria dos alimentos normalmente consumidos crus.
Pesquisadores acreditam que a principal fonte de contaminação esteja na água utilizada para irrigar as plantações.
Quando pessoas infectadas eliminam o parasita pelas fezes, ele pode alcançar rios, reservatórios e sistemas de irrigação, contaminando novas lavouras e ampliando o risco de transmissão. Esse processo favorece a disseminação da doença, já que alimentos produzidos em um único local podem ser distribuídos rapidamente para diferentes estados.
Como a Cyclospora também resiste ao cloro utilizado em muitos sistemas de tratamento de água, o controle do parasita se torna ainda mais difícil.
A ampla rede de distribuição de alimentos frescos também contribui para que um único foco de contaminação alcance consumidores em diferentes regiões do país.
Especialistas lembram que surtos associados à Cyclospora já deixaram de estar restritos a produtos importados e passaram a ocorrer também com alimentos cultivados nos Estados Unidos.
Dessa forma, na avaliação dos pesquisadores, o episódio atual evidencia como um microrganismo pode se espalhar rapidamente por meio da cadeia de abastecimento de alimentos. Enquanto a origem da contaminação continua sendo investigada, a expectativa é que novos casos sejam registrados em diferentes estados.