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Festival passa a contabilizar também as emissões de mobilidade de fãs, fornecedores e funcionários, que serão mapeadas durante os sete dias do evento (Wagner Meier/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 16 de julho de 2026 às 16h00.
O Rock in Rio vai ampliar sua estratégia de compensação de emissões de carbono na edição deste ano. Em parceria com a Axia Energia, o festival passará a neutralizar as emissões de toda a experiência do público, incluindo o deslocamento até a Cidade do Rock e o retorno para casa.
Até então, a iniciativa contemplava apenas as emissões geradas dentro do espaço do evento, modelo adotado desde 2006.
A mudança amplia o escopo da estratégia ambiental do festival e passa a considerar também a mobilidade de fãs, fornecedores e funcionários.
Com base nos dados da edição de 2024, a estimativa é compensar aproximadamente 50 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂), volume equivalente à retirada de 18.826 carros movidos a combustíveis fósseis de circulação durante um ano no Brasil, segundo as empresas.
A compensação será realizada por meio de três frentes: créditos de carbono, plantio de mudas de espécies nativas e certificados de energia renovável. A estratégia utilizará um portfólio de ativos ambientais da Axia Energia, que, segundo a companhia, possui rastreabilidade e alinhamento às práticas do mercado voluntário de carbono.
Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, a companhia dona do festival, conta que desde 1985, quando o Rock in Rio foi criado, nasceu também a vocação de ser mais do que um festival de música e entretenimento: a ideia era mobilizar pessoas, provocar encontros e atuar como uma plataforma de transformação.
"Em 2001, esse propósito ganhou ainda mais força com o 'Por Um Mundo Melhor', que passou a orientar o impacto que buscamos gerar dentro e fora da Cidade do Rock", conta sobre o plano ESG da companhia. "Em 2006, quando o Rock in Rio se tornou o primeiro grande festival do mundo a neutralizar as emissões geradas dentro da Cidade do Rock, esse compromisso se tornou ainda mais presente nas decisões e na construção de cada edição", afirma Medina.
Segundo a executiva, a edição de 2026 representa uma nova etapa desse processo. "Quando falamos sobre descarbonizar o deslocamento do público, estamos falando sobre assumir responsabilidade por toda a jornada, porque a experiência do festival começa muito antes dos portões abrirem e continua mesmo depois que a música termina."
De acordo com Medina, a parceria com a Axia Energia é estratégica para ampliar o impacto real, com ações concretas e mensuráveis, "mostrando que é possível realizar um evento dessa dimensão de forma cada vez mais consciente", diz.
Rock In Rio mais sustentável: a maior parte da neutralização de carbono ocorrerá por meio de créditos originados da geração de energia renovável (Mateus Omena/Divulgação)
Dos cerca de 50 mil toneladas de CO₂ estimadas para a edição de 2026, o plantio de 15 mil mudas deverá compensar o equivalente a 6.328 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e). As 43.672 toneladas restantes serão neutralizadas por meio de créditos de carbono e de Certificados de Energia Renovável, RECFY, referentes ao consumo estimado de aproximadamente 4 mil megawatts-hora (MWh) de energia elétrica durante o festival.
Além das mudas, a Axia Energia também fará a doação de mais de 1 milhão de sementes de espécies nativas brasileiras.Segundo a companhia, o material representa um potencial de captura de cerca de 428 mil toneladas de carbono da atmosfera e poderá contribuir para o reflorestamento de aproximadamente 900 hectares — área equivalente a cerca de 900 campos de futebol.
As mudas e sementes são provenientes da Ilha de Germoplasma, área criada como parte das ações previstas no licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Com 129 hectares, a ilha reúne cerca de 100 mil árvores de 220 espécies nativas e funciona como uma área de conservação florestal.
Entre as espécies que serão destinadas aos programas de reflorestamento estão Muiracatiara, Mogno, Pau-Brasil, Jatobá, Pau-Preto, Morototó e Paricá.
De acordo com as empresas, a seleção levou em consideração a compatibilidade com os biomas que receberão as mudas. Quatro mil delas pertencem a espécies utilizadas na fabricação de instrumentos musicais, estabelecendo uma conexão entre biodiversidade e música.
Para calcular as emissões relacionadas ao deslocamento, o Rock in Rio fará um levantamento junto ao público, fornecedores e funcionários durante os sete dias do evento. Equipes de apoio aplicarão questionários para coletar informações sobre os meios de transporte utilizados e as distâncias percorridas.
Após o encerramento do festival, os dados serão consolidados e validados para calcular as emissões efetivamente geradas pela mobilidade e definir a compensação necessária.
A maior parte dessa neutralização ocorrerá por meio de créditos de carbono originados da geração de energia renovável da Usina Hidrelétrica Teles Pires, localizada entre os estados do Pará e Mato Grosso. Segundo a Axia Energia, o projeto é registrado na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) e está alinhado ao Protocolo de Quioto.
Já a compensação do consumo de energia elétrica do evento será feita com a emissão de aproximadamente 4 mil certificados RECFY, equivalentes ao consumo estimado de 4 mil MWh. Cada certificado atesta a origem renovável da energia utilizada, enquanto a plataforma emprega tecnologia blockchain para registrar os atributos ambientais e garantir rastreabilidade.
Para a Axia Energia, a iniciativa reforça uma estratégia de participação em projetos ligados ao entretenimento e a grandes eventos.
"A nossa energia está ali, conectando negócios, pessoas, música e histórias. Com essa visão, queremos apoiar projetos que proporcionam experiências memoráveis e, ao mesmo tempo, deixam um legado concreto e mensurável", afirma Leandra Peres, diretora de Comunicação da companhia.
A Axia Energia é a maior empresa de geração de energia 100% renovável do Hemisfério Sul. Segundo a companhia, responde por 17% da capacidade de geração nacional e por 37% das linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN), operando 81 usinas, entre empreendimentos hidrelétricos, eólicos e solares.