Cometa 3I/Atlas: composição do objeto interestelar sugere origem em um ambiente muito mais frio e antigo (Freepik)
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Publicado em 23 de junho de 2026 às 16h19.
O cometa interestelar 3I/Atlas pode ser um dos objetos mais antigos já observados pelos astrônomos. Segundo um estudo publicado na revista Nature, o corpo celeste teria se formado há cerca de 10 a 12 bilhões de anos, muito antes do surgimento do Sistema Solar, e apresenta características químicas que não se parecem com as de nenhum cometa conhecido em nossa vizinhança cósmica.
A pesquisa foi conduzida por cientistas que utilizaram observações do Telescópio Espacial James Webb para analisar a composição do objeto. Os resultados sugerem que o 3I/Atlas se originou em um ambiente muito diferente daquele que deu origem à Terra e aos demais planetas do Sistema Solar há cerca de 4,5 bilhões de anos.
O 3I/Atlas é apenas o terceiro objeto interestelar confirmado a passar pelo Sistema Solar. Objetos desse tipo se originam em outros sistemas estelares e atravessam nossa vizinhança cósmica antes de seguir viagem pelo espaço.
Antes dele, os únicos visitantes interestelares identificados haviam sido o 1I/'Oumuamua, descoberto em 2017, e o cometa 2I/Borisov, detectado em 2019.
Com aproximadamente 2,6 quilômetros de diâmetro, o 3I/Atlas chamou a atenção dos pesquisadores não apenas por sua origem externa, mas também por sinais de que ele se formou em um ambiente completamente diferente daquele que deu origem ao Sol e aos planetas.
Para investigar a origem do objeto, os cientistas analisaram diferentes isótopos presentes em sua composição. Esses elementos funcionam como registros químicos capazes de revelar as condições existentes durante a formação de um corpo celeste.
Os resultados mostraram que a água presente no cometa contém uma quantidade de deutério — um isótopo do hidrogênio — cerca de 30 vezes maior do que a encontrada nos cometas conhecidos do Sistema Solar.
Além disso, as proporções de isótopos de carbono observadas no 3I/Atlas não correspondem às registradas em outros corpos do Sistema Solar nem em nuvens interestelares próximas estudadas pelos astrônomos.
Segundo os pesquisadores, essas diferenças indicam que o objeto surgiu em uma região extremamente fria do espaço, com temperaturas próximas de -243°C, e sob condições químicas muito distintas das que existiam durante a formação do Sistema Solar há cerca de 4,5 bilhões de anos.
A análise da composição química sugere que o 3I/Atlas se formou durante um período de intensa formação estelar na Via Láctea, há aproximadamente 12 bilhões de anos.
Como o Universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos, isso significa que o cometa pode ter surgido quando grande parte das estrelas atuais ainda nem existia.Os cientistas acreditam que ele seja um remanescente do processo de formação de planetas em torno de outra estrela e que tenha sido ejetado de seu sistema original por interações gravitacionais ou colisões ocorridas há bilhões de anos.
Embora a hipótese mais provável seja uma origem dentro da Via Láctea, os pesquisadores não descartam totalmente a possibilidade de que o objeto tenha vindo de uma galáxia vizinha.
Outro aspecto que chamou a atenção da equipe foi a presença de moléculas orgânicas contendo carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre.
Esses elementos são considerados fundamentais para a química associada à vida e indicam que compostos complexos já estavam disponíveis no disco de material que deu origem ao sistema planetário do qual o cometa se formou.
Embora isso não represente qualquer evidência de vida, a descoberta ajuda os cientistas a compreender como ingredientes químicos importantes podem estar distribuídos por diferentes regiões da galáxia.
O cometa continua atravessando o Sistema Solar e atualmente segue em direção às regiões externas do sistema. Segundo os cálculos dos astrônomos, ele passará além da órbita de Plutão até 2029 e continuará sua trajetória rumo ao espaço interestelar.
A expectativa é que deixe definitivamente os limites externos do Sistema Solar por volta de 2035.
Para os pesquisadores, o 3I/Atlas representa uma oportunidade única de estudar um objeto que preserva informações sobre ambientes planetários muito mais antigos do que o próprio Sistema Solar, oferecendo pistas valiosas sobre a evolução da Via Láctea e a formação de sistemas planetários ao longo da história do Universo.