Ciência

Estudo revela impacto pouco percebido da solidão no cérebro 'velho'

Resultados sugerem que o sentimento pode ter impacto maior do que o próprio isolamento social

Solidão: pesquisadores analisaram os efeitos da desconexão emocional no envelhecimento (Imagem gerada por IA/EXAME)

Solidão: pesquisadores analisaram os efeitos da desconexão emocional no envelhecimento (Imagem gerada por IA/EXAME)

Publicado em 20 de junho de 2026 às 10h23.

A solidão pode ter impactos que vão além do bem-estar emocional. Um estudo com mais de 175 mil pessoas de idade superior a 50 anos concluiu que o sentimento persistente de solidão está associado a maior risco de declínio cognitivo e a uma menor expectativa de vida.

Os resultados foram publicados no periódico científico Journal of Personality and Social Psychology. A pesquisa foi conduzida por uma equipe de 24 cientistas liderada por Tomiko Yoneda e Eileen K. Graham.

Solidão e isolamento não são a mesma coisa

Os pesquisadores destacam que solidão e isolamento social representam conceitos diferentes. Enquanto o isolamento se refere à falta de contato com outras pessoas, a solidão é uma percepção subjetiva de desconexão. Uma pessoa pode estar cercada de familiares, amigos ou colegas e ainda assim sentir-se solitária.

Durante o estudo, os participantes relataram com que frequência se sentiam sozinhos e também quantas interações sociais mantinham regularmente.

O que o estudo descobriu

A análise mostrou que a solidão apresentou associação consistente com pior saúde cognitiva ao longo do tempo. Segundo os pesquisadores, um aumento de 10% nos relatos de solidão esteve relacionado a uma elevação de 8% a 9% no risco de comprometimento cognitivo grave e na transição de um estado sem déficits cognitivos para quadros leves de comprometimento.

Os resultados também indicaram que pessoas mais solitárias tendem a apresentar maior probabilidade de progressão para estágios mais avançados de declínio cognitivo e menor chance de recuperação.

Isolamento social teve impacto menor

Curiosamente, o isolamento social por si só mostrou uma relação muito mais fraca com os desfechos analisados. Os pesquisadores observaram apenas uma associação modesta entre isolamento e redução da expectativa de vida, sem uma ligação consistente com o declínio cognitivo.

Isso sugere que o sentimento subjetivo de solidão pode ser mais prejudicial à saúde cerebral do que simplesmente passar mais tempo sozinho.

O que os pesquisadores recomendam?

Segundo os autores, os resultados reforçam a necessidade de estratégias voltadas não apenas para aumentar o contato social, mas também para reduzir a sensação de desconexão emocional.

Os pesquisadores afirmam que combater a solidão pode ajudar a diminuir o risco de comprometimento cognitivo, além de reduzir os custos associados ao tratamento de demências e outras doenças relacionadas ao envelhecimento cerebral.

Acompanhe tudo sobre:Pesquisas científicasSaúdeTerceira idade

Mais de Ciência

Fim dos espirros? Os cães geneticamente modificados que não causam alergias

Conheça o ‘grito’ da cigarra que parece um 'jato decolando'

Fóssil de 518 milhões de anos explica a origem das presas das aranhas

Núcleo 'derretido' da Terra inverte direção sob o Pacífico e intriga cientistas