Periodontite: biomaterial à base de látex de jaca e casca de romã mostrou potencial para auxiliar na regeneração de tecidos ao redor dos dentes (Freepik)
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Publicado em 20 de junho de 2026 às 15h10.
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biomaterial à base de látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina que pode abrir novas perspectivas para o tratamento da periodontite, uma doença inflamatória crônica que afeta os tecidos de sustentação dos dentes.
O estudo foi conduzido por cientistas da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e publicado na revista Polymer Bulletin.
A periodontite é uma infecção crônica que afeta a gengiva e as estruturas responsáveis pela sustentação dos dentes. Com o avanço da doença, pode ocorrer perda óssea e comprometimento da ligação entre os dentes e os tecidos ao redor.
Os tratamentos atuais buscam controlar a infecção e reduzir a inflamação, mas nem sempre conseguem regenerar os tecidos danificados. Por isso, pesquisadores vêm estudando novas alternativas capazes de estimular a recuperação dessas estruturas.
A equipe desenvolveu uma matriz mucoadesiva combinando três componentes com propriedades distintas. O primeiro é o látex extraído da jaca, escolhido por sua capacidade de aderir aos tecidos e permanecer por mais tempo na região tratada. Segundo os pesquisadores, essa característica pode favorecer a liberação localizada de substâncias terapêuticas.
O segundo componente é o extrato da casca de romã, que apresenta propriedades antimicrobianas já descritas em estudos anteriores.
Já o terceiro ingrediente é a sinvastatina, medicamento amplamente utilizado para reduzir os níveis de colesterol, mas que também vem sendo investigado por seu potencial anti-inflamatório e por sua capacidade de estimular a formação de tecido ósseo.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores avaliaram o biomaterial em laboratório utilizando células-tronco derivadas de tecido adiposo humano.
A sinvastatina foi incorporada ao gel em diferentes concentrações, e os resultados indicaram que o material permaneceu estável durante os testes.
Além disso, todas as concentrações avaliadas estimularam a osteoindução, processo pelo qual células passam a desenvolver características associadas à formação de tecido ósseo. Esse efeito foi observado após 14 dias e tornou-se mais evidente após 21 dias.
Segundo os autores, os resultados sugerem que o biomaterial possui potencial para auxiliar na regeneração das estruturas afetadas pela periodontite.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que a tecnologia ainda está em fase experimental.Novos estudos serão necessários para avaliar com mais detalhes a eficácia e a segurança do material antes que ele possa ser considerado para uso clínico em pacientes.
Os cientistas também destacam que o biomaterial poderá ser investigado em outras aplicações biomédicas relacionadas à regeneração de tecidos e à recuperação óssea.