Repórter
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 16h31.
Última atualização em 8 de setembro de 2026 às 16h33.
Uma pesquisa conduzida por brasileiros sobre o comportamento de jararacas recebeu o Prêmio Ig Nobel de Biologia após um experimento que envolveu mais de 40 mil contatos com os animais por meio de uma bota de proteção.
O Ig Nobel é uma premiação criada pela revista de humor científico Annals of Improbable Research (Anais de Pesquisa Improvável). O prêmio reconhece autores de pesquisas, experimentos e descobertas em áreas como ciência, medicina, finanças e tecnologia.
Segundo a organização do prêmio, os pesquisadores repetiram o procedimento em diferentes temperaturas e horários do dia. O objetivo do estudo era identificar quais fatores influenciam a decisão de uma serpente de picar ou não uma pessoa.
O prêmio foi concedido a João Miguel Alves Nunes, Adriano Fellone, Selma Maria Almeida-Santos, Carlos Roberto de Medeiros, Ivan Sazima e Otavio Augusto Vuolo Marques, na última quinta-feira, 3, em Zurique, na Suíça. A premiação também teve cerimônia nos Estados Unidos, nas universidades Harvard e de Boston e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
A pesquisa também passou por uma retratação na revista Scientific Reports após a identificação de uma inconsistência relacionada à descrição do procedimento adotado no experimento.
A questão envolveu o uso do termo “pisada”, que, de acordo com a retratação, deveria ser interpretado como “tocar levemente com o pé”. O termo também trouxe questionamentos porque o comitê de ética do Instituto Butantan não havia autorizado o uso de filhotes de serpentes nem o ato descrito como “pisar” nos animais.
Um dos pesquisadores brasileiros que recebeu o Ig Nobel foi afastado do projeto após sofrer quatro picadas de serpentes. Ele apresentou reações alérgicas ao veneno e ao soro antiofídico.
Diferentemente do Nobel, que concede uma premiação em dinheiro, os vencedores do Ig Nobel recebem uma cédula de dez trilhões de dólares do Zimbábue. A organização afirma que a premiação busca reconhecer realizações “surpreendentes que fazem as pessoas rirem e, depois, pensar”.