Líderes Extraordinários

Liderar é solitário. Por isso, bons líderes formam seus próprios aliados

Decisões fortes raramente se sustentam sem preparo coletivo

Liderança: desenvolver talentos internos reduz a solidão do topo e fortalece decisões estratégicas. (Envato)

Liderança: desenvolver talentos internos reduz a solidão do topo e fortalece decisões estratégicas. (Envato)

Danilo Magri
Danilo Magri

Colunista

Publicado em 16 de março de 2026 às 14h00.

Última atualização em 16 de março de 2026 às 14h10.

Pouco se fala sobre a solidão da liderança estratégica. Quanto mais alto o cargo, menor é o número de pessoas com quem um CEO ou dono de negócio pode pensar em voz alta, dividir dúvidas reais ou testar ideias ainda imperfeitas. O topo afunila. E muitos líderes tentam compensar isso sozinhos, quando a resposta, muitas vezes, está dentro da própria empresa.

Detectar e desenvolver talentos internos não é apenas uma boa prática de gestão de pessoas. É uma estratégia de sustentação da liderança.

A maioria das organizações busca talentos olhando apenas para performance visível: quem entrega mais, quem fala melhor, quem aparece mais. No entanto, potenciais talentos raramente se revelam só em indicadores. Eles aparecem na forma como alguém pensa o negócio, faz perguntas difíceis, assume responsabilidades que não estavam no escopo e demonstra incômodo genuíno com problemas que ainda não viraram prioridade.

Líderes atentos observam comportamento antes do currículo. Prestam atenção em quem entende o contexto, não apenas a tarefa. Em quem conecta áreas, não apenas executa ordens. Em quem sustenta decisões difíceis quando o ambiente se torna ambíguo.

Detectar, no entanto, não basta. Desenvolver  esses talentos exige proximidade real. Exposição a discussões estratégicas, participação em decisões relevantes, espaço para errar com responsabilidade e feedback honesto. Nada desmobiliza mais um talento interno do que ser tratado como uma “promessa futura” enquanto as conversas importantes acontecem longe dele.

Para CEOs e fundadores, formar “pratas da casa” é ainda mais crítico. Pessoas de confiança, desenvolvidas internamente, reduzem a dependência excessiva do próprio líder, aceleram decisões e garantem continuidade. Não se trata de lealdade cega, mas de alinhamento profundo com a cultura, a estratégia e a forma de pensar o negócio.

Liderar continuará sendo solitário. A diferença é que alguns líderes insistem em carregar tudo sozinhos, enquanto outros constroem aliados capazes de dividir o peso das decisões que realmente importam.

A pergunta final talvez não seja se você tem talentos na sua empresa, mas se está disposto a confiar neles antes que precisem ir embora para serem vistos.

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