Envelhecimento: sociabilidade e atividade física retardam a perda de memória (krisanapong detraphiphat/Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 21 de abril de 2026 às 06h02.
A solidão pode afetar a memória? Um estudo buscou responder a essa questão ao acompanhar milhares de idosos por muitos anos. A pesquisa foi liderada por Luis Carlos Venegas-Sanabria, da Universidade del Rosario, na Colômbia, e publicada em abril na revista Aging & Mental Health.
Com dados do banco Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe (SHARE), o estudo analisou 10.217 pessoas entre 65 e 94 anos, em 12 países, por até sete anos.
Os resultados indicam que participantes com maior nível de solidão tiveram desempenho inferior em testes de memória no início. Ao longo do tempo, porém, a taxa de declínio cognitivo foi semelhante entre todos os grupos.
Os testes incluíram recordação imediata e tardia, como memorização de listas de palavras. A diferença apareceu nas pontuações iniciais, não na evolução ao longo dos anos. Segundo Luis Carlos, o resultado indica que a solidão influencia mais o nível inicial da memória do que sua deterioração progressiva.
O grupo com maior isolamento era, em média, mais velho e predominantemente feminino.
A solidão está associada à menor interação social e maior incidência de depressão, além de doenças como diabetes e hipertensão. A prática de atividade física esteve ligada a melhores níveis iniciais de memória, sem alterar a velocidade de declínio.
Uma projeção citada pelo estudo indica que uma em cada seis pessoas terá mais de 65 anos no mundo até 2050. Por isso, estudar como a memória funciona é fundamental para garantir a qualidade de vida e a saúde pública de uma população que envelhece cada vez mais.
Os autores da pesquisa sugerem incluir avaliações de solidão em exames clínicos para a população idosa.