Canetas emagrecedoras: estudos investigam a relação entre medicamentos GLP-1 e queda de cabelo (Steve Christo - Corbis/Getty Images)
Redatora
Publicado em 23 de julho de 2026 às 15h46.
Medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes — como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound — podem aumentar o risco de queda de cabelo, segundo um estudo publicado no The BMJ na última quarta-feira, 22.
A pesquisa identificou que pacientes que utilizam esses remédios apresentam mais diagnósticos de alopecia do que usuários de outras classes de medicamentos para diabetes, embora o problema continue sendo incomum.
Para os resultados, os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia analisaram milhares de pacientes e observaram que, após pelo menos dois anos de tratamento, usuários de medicamentos GLP-1 tiveram 37% mais chances de receber um novo diagnóstico de alopecia em comparação com quem utilizava inibidores de SGLT-2 e 68% mais chances em relação aos pacientes tratados com inibidores de DPP-4.
Apesar desse aumento relativo, o risco absoluto permaneceu baixo. A incidência variou entre 3 e 9 casos de alopecia por mil pacientes ao ano, dependendo da classe de medicamento analisada.
Os autores destacam que esses resultados não significam que a maioria dos pacientes perderá cabelo. Segundo eles, os benefícios dos medicamentos para controle da obesidade, diabetes e redução de complicações cardiovasculares continuam superando esse possível efeito adverso para a maior parte das pessoas.
A queda de cabelo é frequentemente observada após uma perda rápida de peso, independentemente da forma como ela ocorre. Esse fenômeno, chamado eflúvio telógeno, faz com que um número maior de fios entre ao mesmo tempo na fase de queda.
No entanto, os novos estudos indicam que o emagrecimento sozinho pode não explicar todos os casos. Uma segunda pesquisa, publicada no Journal of the American Academy of Dermatology com mais de 1 milhão de participantes, também encontrou um risco maior de diferentes tipos de alopecia entre usuários de medicamentos GLP-1 quando comparados a pessoas que utilizavam metformina.
Já um terceiro estudo comparou diretamente os dois medicamentos mais populares da classe: tirzepatida e semaglutida.
No estudo preliminar, ainda em processo de revisão por pares, pesquisadores compararam 11.046 usuários de tirzepatida com o mesmo número de pacientes tratados com semaglutida. Os resultados mostraram que 4,24% dos usuários de tirzepatida desenvolveram alopecia, contra 3,33% entre os que utilizaram semaglutida.
Entre as mulheres, a diferença foi ainda maior: 5,44% no grupo da tirzepatida e 3,63% entre as usuárias de semaglutida.
Segundo os pesquisadores, esse aumento permaneceu mesmo após considerar fatores como a quantidade de peso perdida e a dose utilizada, indicando que outros mecanismos biológicos podem estar envolvidos.
O estudo também identificou que pacientes com doenças da tireoide e outros distúrbios endócrinos apresentaram maior probabilidade de desenvolver alopecia durante o tratamento.
Para os autores, isso sugere que fatores hormonais, autoimunes e dermatológicos podem contribuir para o problema, reforçando a importância de um acompanhamento individualizado.
Eles defendem que médicos orientem os pacientes sobre esse possível efeito adverso antes do início do tratamento, mas ressaltam que a queda de cabelo costuma ser temporária e reversível, principalmente quando está relacionada à perda de peso. Novos estudos serão necessários para esclarecer exatamente como os medicamentos GLP-1 podem influenciar esse processo.