Ciência

Ozempic: maioria dos pacientes que param GLP-1 volta ao tratamento, diz estudo

Pesquisa identificou altas taxas de interrupção, mas também um retorno frequente ao tratamento nos anos seguintes

GLP-1: pesquisa acompanhou mais de 60 mil pessoas com diabetes tipo 2 (JDawnInk/Getty Images)

GLP-1: pesquisa acompanhou mais de 60 mil pessoas com diabetes tipo 2 (JDawnInk/Getty Images)

Publicado em 19 de junho de 2026 às 08h09.

A maioria dos pacientes que interrompe medicamentos GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Victoza, acaba retomando o tratamento posteriormente. A conclusão vem de um estudo apresentado no ENDO 2026, encontro anual da Sociedade de Endocrinologia, que analisou mais de 60 mil adultos com diabetes tipo 2 nos Estados Unidos.

Os resultados mostram que, embora a interrupção do uso seja frequente, grande parte dos pacientes retorna à terapia nos anos seguintes. A pesquisa também identificou diferenças importantes entre os medicamentos da classe, indicando que tratamentos mais recentes, como a tirzepatida e a semaglutida, estão associados a uma maior permanência dos pacientes em comparação com opções mais antigas.

Quase 60% interrompem o uso em até dois anos

Pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston analisaram dados de seguros de saúde coletados entre 2019 e 2025. O estudo incluiu usuários de liraglutida (Victoza), semaglutida (Ozempic) e tirzepatida (Mounjaro) com diabetes tipo 2 e sobrepeso ou obesidade.

Os cientistas consideraram como interrupção um período superior a 60 dias sem renovação da receita médica. Os resultados mostraram que cerca de 40% dos pacientes interromperam o tratamento durante o primeiro ano. Ao final de dois anos, esse percentual chegou a quase 60%.

Retorno ao tratamento é comum

Apesar das elevadas taxas de interrupção, os pesquisadores observaram que muitos pacientes não abandonam os medicamentos definitivamente.

Entre aqueles que suspenderam o tratamento, 41,5% retomaram o uso em até um ano. Após dois anos, o percentual de retorno alcançou 58%.

Segundo os autores, os dados sugerem que o uso dos medicamentos GLP-1 é frequentemente marcado por pausas e retomadas, em vez de um abandono permanente da terapia.

Quem tem mais chance de interromper o tratamento?

A análise identificou alguns grupos com maior probabilidade de descontinuação.

Pacientes cobertos pelos programas Medicaid ou Medicare apresentaram taxas mais elevadas de interrupção. O mesmo foi observado entre pacientes negros e pessoas que desenvolveram efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas e desconforto digestivo.

Por outro lado, aqueles cuja primeira prescrição foi feita por um endocrinologista tiveram cerca de 10% menos chance de abandonar o tratamento.

Medicamentos mais recentes tiveram melhor adesão

O tipo de medicamento utilizado também influenciou os resultados. Pacientes que usavam tirzepatida apresentaram uma probabilidade 41% menor de interromper o tratamento em comparação com usuários de liraglutida.

Já a semaglutida foi associada a uma chance 28% menor de descontinuação em relação aos medicamentos mais antigos avaliados na pesquisa.

Por que a continuidade do tratamento é importante?

Segundo os pesquisadores, os benefícios dos medicamentos GLP-1 dependem da manutenção do uso ao longo do tempo.

A interrupção precoce pode reduzir a proteção contra complicações associadas ao diabetes tipo 2, incluindo doenças cardiovasculares, insuficiência cardíaca e problemas renais.

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