Aviação militar: nova geração de aeronaves aposta na colaboração entre pilotos e sistemas autônomos (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
Redatora
Publicado em 22 de julho de 2026 às 19h27.
A próxima geração de aeronaves militares dos Estados Unidos poderá voar sem piloto humano a bordo. Empresas do setor de defesa estão acelerando o desenvolvimento de drones de combate equipados com inteligência artificial, projetados para acompanhar caças tripulados em missões de ataque, vigilância e apoio tático.
Os novos modelos foram apresentados durante a feira Farnborough International Airshow, no Reino Unido, onde fabricantes como Boeing, General Atomics e Anduril Industries exibiram suas aeronaves mais recentes. As informações foram publicadas pelo jornal britânico The Independent.
O programa faz parte da estratégia da Força Aérea dos Estados Unidos para criar as chamadas Collaborative Combat Aircraft (CCA), ou Aeronaves de Combate Colaborativas.
Esses drones são desenvolvidos para atuar como "alas" de caças tripulados, executando tarefas de reconhecimento, guerra eletrônica e até ataques, com elevado grau de autonomia proporcionado por sistemas de inteligência artificial.
Segundo analistas do setor ouvidos pela Reuters, o mercado poderá movimentar bilhões de dólares e produzir centenas de aeronaves por ano quando entrar em escala, embora a adoção em larga escala seja esperada apenas a partir da metade da década de 2030.
A Boeing afirma estar à frente da disputa com o Ghost Bat, drone desenvolvido desde 2017 em parceria com as Forças de Defesa da Austrália.
Segundo a empresa, a aeronave já realizou mais de 100 voos de teste e recentemente participou do primeiro exercício militar multinacional liderado pelos Estados Unidos envolvendo esse tipo de plataforma. Em dezembro, também concluiu um teste de disparo contra um alvo aéreo.
A fabricante australiana produz atualmente sete unidades do Ghost Bat para o governo da Austrália em um contrato avaliado em 754 milhões de dólares australianos.
Apesar da vantagem reivindicada pela Boeing, concorrentes afirmam que estão reduzindo rapidamente essa diferença. A Anduril Industries informou que iniciou a produção do drone FURY em uma nova fábrica no estado de Ohio e pretende alcançar uma capacidade de até 150 aeronaves por ano.
A empresa também participou recentemente de um teste de fogo real realizado pela Força Aérea dos EUA no Deserto de Mojave.
Já a General Atomics, fabricante do tradicional drone Predator, destacou que o principal avanço está nos sistemas de autonomia embarcados. Segundo a empresa, seus algoritmos acumulam milhares de horas de testes de voo autônomo, permitindo que as aeronaves operem com mínima intervenção humana.
A Força Aérea norte-americana pretende selecionar o principal fornecedor da primeira fase do programa até o verão de 2027.
O objetivo é incorporar mais de 150 drones de combate antes do fim da década, reduzindo custos em comparação aos caças convencionais.
Segundo estimativas citadas pela Reuters, cada aeronave deverá custar uma fração do valor de um F-35, cujo preço supera US$ 80 milhões.
A disputa não se limita aos EUA. A Boeing trabalha para oferecer o Ghost Bat à Força Aérea da Alemanha até 2029, enquanto a Airbus apresentou no Farnborough Airshow o drone U760 Ravenstorm, previsto para entrar em operação no início da década de 2030.
Outras empresas, como Lockheed Martin e Northrop Grumman, também desenvolvem projetos próprios de aeronaves de combate autônomas, reforçando a corrida global para incorporar inteligência artificial às operações militares.