Emagrecimento: controle contínuo do peso pode reduzir gradualmente memória celular da obesidade (Getty Images/Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 6 de maio de 2026 às 06h21.
Mesmo que você passe por uma extensa perda de peso, seja por meio de exercícios, cirurgias ou substâncias emagrecedoras, seu corpo pode não esquecer totalmente a obesidade. Um estudo publicado no final de abril indica que o sistema imunológico registra esse histórico e mantém seus efeitos mesmo após o emagrecimento.
Pesquisadores identificaram que o sistema imunológico pode registrar uma “memória” do excesso de peso, efeito que persiste mesmo após perda significativa de massa corporal. O estudo foi conduzido pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e publicado na revista EMBO Reports, um periódico do grupo Nature, o mais respeitado no meio científico. A análise acompanhou pacientes por até uma década.
Os cientistas observaram alterações duradouras no DNA de células imunológicas chamadas linfócitos T auxiliares (CD4+). Essas mudanças ocorrem por meio da "metilação do DNA", mecanismo que regula o comportamento celular.
Segundo os dados, essas marcas funcionam como um registro do histórico metabólico do organismo. Elas podem permanecer por um período de cinco a dez anos após o emagrecimento. A pesquisa também utilizou modelos em ratos com dieta rica em gordura e amostras de sangue humano. O objetivo foi entender os mecanismos da desregulação imunológica associada à obesidade.
De acordo com os autores, a perda de peso no curto prazo pode não reduzir imediatamente riscos de doenças como diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer.
As alterações afetam processos como a autofagia, responsável pela limpeza celular, e a senescência imunológica, ligada ao envelhecimento das células de defesa. Na prática, o organismo pode continuar desregulado mesmo após a redução de peso. Isso ajuda a explicar a persistência de doenças associadas à obesidade.
Os pesquisadores indicam que o controle contínuo do peso pode reduzir gradualmente essa memória, embora o processo leve anos. O estudo também aponta possibilidades terapêuticas, como o uso de medicamentos para reduzir inflamação e eliminar células envelhecidas.