Ciência

Fim do ar-condicionado? Nova tecnologia promete resfriar prédios sem energia

Cientistas apostam em tecnologias de resfriamento passivo para enfrentar ondas de calor sem aumentar o consumo elétrico

Ar-condicionado: calor extremo acelera a busca por alternativas sustentáveis (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Ar-condicionado: calor extremo acelera a busca por alternativas sustentáveis (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 22 de julho de 2026 às 20h50.

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À medida que ondas de calor se tornam mais frequentes e intensas, cientistas defendem que ampliar o uso de aparelhos de ar-condicionado não será suficiente para proteger a população. Em vez disso, pesquisadores apostam em uma nova geração de materiais capazes de resfriar edifícios de forma passiva, reduzindo o consumo de energia e a emissão de calor para o ambiente.

A análise foi publicada na revista Nature, com base em uma revisão científica divulgada na Nature Reviews Clean Technology, que reúne os avanços mais recentes em tecnologias de resfriamento passivo.

Ar-condicionado aumenta consumo de energia e aquece cidades

Segundo os pesquisadores, o resfriamento de edifícios já representa quase 10% do consumo mundial de eletricidade. A expectativa é que essa demanda cresça rapidamente nas próximas décadas devido ao aumento das temperaturas provocado pelas mudanças climáticas.

A revisão estima que, até 2050, a eletricidade utilizada para resfriar edifícios poderá aumentar 210% em relação aos níveis registrados em 2024. No mesmo período, as emissões de gases de efeito estufa associadas ao uso de ar-condicionado podem triplicar.

Além do elevado consumo energético, os aparelhos também contribuem para aquecer as cidades. Isso ocorre porque sistemas convencionais retiram calor do interior dos edifícios e o liberam no ambiente externo, aumentando a temperatura nas áreas urbanas e estimulando ainda mais o uso da climatização.

Outro desafio é o custo. Segundo o estudo, até 100 milhões de famílias na Índia, México, Indonésia e Brasil ainda não terão condições de adquirir aparelhos de ar-condicionado até 2040, mesmo contando com acesso à eletricidade.

Materiais inteligentes podem resfriar prédios sem eletricidade

Como alternativa, pesquisadores desenvolvem tecnologias de resfriamento passivo, que utilizam materiais capazes de controlar a temperatura dos edifícios com pouca ou nenhuma energia.

Entre as soluções já empregadas estão persianas automatizadas que acompanham a posição do Sol para reduzir a entrada de calor em construções comerciais.

Outra frente de pesquisa envolve materiais de resfriamento radiativo passivo, desenvolvidos para refletir determinados comprimentos de onda do calor diretamente para o espaço por meio da chamada "janela atmosférica". Entre esses materiais estão tintas especiais, vidros, géis e revestimentos para telhados e fachadas.

Novos revestimentos refletem até 97% da energia solar

Pesquisadores também criaram revestimentos compostos por múltiplas camadas ou por micro e nanopartículas capazes de aumentar a reflexão da radiação solar.

Um dos materiais descritos reduziu a temperatura da superfície onde foi aplicado em 5,26 °C, refletindo 97% da energia solar incidente.

Outra tecnologia combina resfriamento radiativo com evaporação. Um filme plástico desenvolvido em 2021 utiliza um hidrogel capaz de absorver vapor de água durante a noite e liberar calor ao longo do dia. Em testes sob luz solar direta, o material reduziu a temperatura da superfície em aproximadamente 7 °C.

A tecnologia ainda enfrenta desafios

Para os pesquisadores, essas tecnologias podem diminuir significativamente a necessidade de ar-condicionado, sobretudo quando aplicadas em telhados e fachadas.

Especialistas também afirmam que políticas públicas e normas de construção devem incentivar a adoção de métodos de resfriamento passivo em novos edifícios.

Segundo eles, essas soluções ainda precisam ser combinadas com estratégias para reduzir o aquecimento das áreas urbanas e enfrentar de forma mais ampla os impactos das ondas de calor.

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