Premier League: futebol inglês tem movimentações de mercado (OLI SCARFF/Getty Images)
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Publicado em 23 de julho de 2026 às 15h42.
O mercado do futebol inglês vive dias de intensa movimentação. Enquanto o Liverpool negocia a entrada de novos investidores com uma avaliação bilionária, o Leicester City foi colocado oficialmente à venda por seus proprietários tailandeses, em duas operações que evidenciam cenários bastante distintos entre clubes que conquistaram a Premier League na última década.
Os movimentos acontecem logo após a Copa do Mundo de 2026 e reforçam o interesse de investidores pelo futebol inglês, especialmente pela força global da Premier League.
O Liverpool está em conversas para vender uma participação minoritária do clube a um consórcio liderado por Amit Bhatia, empresário ligado à família Mittal, dinastia empresarial indiana globalmente famosa, liderada pelo magnata Lakshmi Mittal. A negociação pode avaliar os Reds em mais de US$ 6 bilhões, uma das maiores cifras já registradas no futebol mundial.
A Fenway Sports Group (FSG), proprietária do clube desde 2010, confirmou que recebeu uma manifestação de interesse, mas ressaltou que ainda não há acordo fechado.
A possível operação representa mais um passo na estratégia da FSG de captar investimentos sem abrir mão do controle da equipe. O grupo já havia vendido uma participação minoritária para a Dynasty Equity em 2023 e segue expandindo seus negócios no esporte.
Dentro de campo, o Liverpool atravessa um momento de estabilidade. O clube conquistou a Premier League em 2025, ultrapassou o Manchester City em receita anual e registrou faturamento superior a 700 milhões de libras na temporada 2024/25, consolidando-se como uma das marcas esportivas mais valiosas do mundo.
Em situação oposta, o Leicester City iniciou o processo de venda após enfrentar um período de forte deterioração esportiva e financeira.
O grupo tailandês King Power, dono do clube desde 2010, contratou o Citigroup para buscar possíveis compradores. A empresa controla o Leicester há mais de 15 anos e foi responsável pela maior conquista da história da equipe: o surpreendente título da Premier League em 2016.
Desde então, porém, o cenário mudou radicalmente. Após passagens pela Championship e novas quedas de divisão, o Leicester terminou a última temporada rebaixado para a League One, a terceira divisão inglesa.
Além dos resultados ruins em campo, o clube sofreu uma punição de seis pontos por descumprir regras financeiras e registrou prejuízo de 71,1 milhões de libras na temporada 2024/25. Os proprietários chegaram a converter 124 milhões de libras em empréstimos em patrimônio para aliviar a situação financeira.
Embora envolvam dois clubes campeões ingleses, as negociações têm origens distintas.
No caso do Liverpool, a venda de uma participação minoritária é vista como uma oportunidade para os proprietários realizarem parte do investimento em um momento de alta valorização da equipe.
Já o Leicester busca um novo controlador em meio às dificuldades enfrentadas pelo grupo King Power, cuja operação de varejo e turismo foi afetada pela queda no fluxo de visitantes à Tailândia após a pandemia.
As duas negociações reforçam que os clubes ingleses continuam despertando interesse internacional, mesmo com a desaceleração nas aquisições de equipes da elite europeia nos últimos anos.
Enquanto investidores avaliam o potencial de crescimento de marcas consolidadas, como o Liverpool, outros enxergam oportunidades de reconstrução em clubes tradicionais, caso do Leicester City, que tenta encontrar um novo rumo após uma década que reuniu o maior título de sua história e uma rápida queda até a terceira divisão do futebol inglês.