Exolua: candidato orbita uma anã marrom em um sistema a 73 anos-luz da Terra (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 23 de julho de 2026 às 15h43.
Astrônomos identificaram um forte candidato à primeira exolua já encontrada fora do Sistema Solar. O estudo descreve um corpo gasoso que, ao contrário das luas conhecidas, não orbita um planeta, mas uma anã marrom — tipo de astro conhecido como "estrela falhada". O achado pode levar cientistas a revisar os critérios usados atualmente para diferenciar luas, planetas e estrelas.
A pesquisa foi conduzida por uma equipe da Universidade Diego Portales, no Chile, que analisou o sistema estelar CD-35 2722, localizado a cerca de 73 anos-luz da Terra. Os resultados foram divulgados pela revista Nature nesta quarta-feira, 22.
Nesse sistema, os pesquisadores encontraram um gigante gasoso com pelo menos 37 vezes a massa de Júpiter orbitando uma anã marrom, enquanto esse astro gira ao redor da estrela principal do sistema.
Essa configuração nunca havia sido observada pelos astrônomos e desafia as classificações tradicionais adotadas pela astronomia.
Embora tenha massa suficiente para ser considerado um planeta, o objeto não orbita uma estrela, mas uma anã marrom. Por isso, os pesquisadores o classificam como um forte candidato a exolua, termo usado para designar luas localizadas fora do Sistema Solar.
A dificuldade em classificar o objeto está na própria natureza do sistema. As anãs marrons se formam da mesma maneira que as estrelas, mas não acumulam massa suficiente para iniciar a fusão do hidrogênio em seus núcleos. Por isso, ocupam uma posição intermediária entre os maiores planetas e as menores estrelas.
Segundo Kevin Hoy, pesquisador da Universidade Diego Portales e autor principal do estudo, o corpo descoberto é massivo o suficiente para ser considerado um planeta, mas sua órbita ao redor de uma anã marrom foge das definições adotadas atualmente pela astronomia.
Para Alice Zurlo, também integrante da equipe, sistemas como esse mostram que as fronteiras entre estrelas, planetas e luas são menos rígidas do que se imaginava, indicando que esses conceitos talvez precisem ser revistos.
Os pesquisadores acreditam que essa descoberta representa apenas o primeiro passo para identificar outros sistemas semelhantes.
A expectativa é que o Extremely Large Telescope (ELT), atualmente em construção pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, permita detectar novos candidatos e ampliar o conhecimento sobre a formação de luas fora do Sistema Solar.
Com observações mais detalhadas, os astrônomos esperam compreender melhor esses sistemas e verificar se será necessário atualizar as definições usadas atualmente para distinguir luas, planetas e estrelas.