Ozempic: nova técnica com enzima pode aumentar duração e eficácia de medicamentos à base de peptídeos. (Montagem EXAME/Canva)
Repórter
Publicado em 28 de abril de 2026 às 10h23.
Pesquisadores da Universidade de Utah identificaram uma enzima capaz de “fechar” medicamentos à base de peptídeos em estruturas mais estáveis e duradouras, o que pode ampliar a eficácia de tratamentos como Ozempic e Wegovy.
A descoberta envolve a enzima PapB, que promove um processo chamado macrocyclization, transformando cadeias abertas em estruturas circulares mais resistentes.
O estudo, publicado na American Chemical Society, mostra como essa modificação pode melhorar o desempenho de medicamentos baseados em peptídeos, como os análogos de GLP-1 usados no tratamento de diabetes e obesidade. A pesquisa ainda está em fase pré-clínica de descoberta e desenvolvimento de fármacos.
Peptídeos em formato circular apresentam vantagens importantes em relação às versões lineares. Segundo os pesquisadores, essas estruturas são mais estáveis, permanecem ativas por mais tempo no organismo e interagem melhor com seus alvos biológicos.
A técnica desenvolvida utiliza a enzima PapB para unir as extremidades do peptídeo, criando uma ligação química estável. Diferentemente dos métodos tradicionais, que são mais complexos e caros, o processo enzimático ocorre de forma mais precisa e sem a necessidade de sequências adicionais para reconhecimento molecular.
Os cientistas testaram a técnica em peptídeos semelhantes ao GLP-1, incluindo compostos relacionados à semaglutida — princípio ativo de Ozempic e Wegovy. Em laboratório, a enzima conseguiu transformar essas moléculas em versões cíclicas, mesmo quando continham modificações químicas comuns em fármacos modernos.
A flexibilidade da PapB chamou atenção dos pesquisadores, já que ela funcionou mesmo sem estruturas auxiliares normalmente exigidas nesse tipo de reação, o que amplia seu potencial de uso em diferentes medicamentos.
Nova técnica com enzima pode aumentar duração e eficácia de medicamentos à base de peptídeos (Reprodução/American Chemical Society)
Um dos principais desafios dos fármacos baseados em peptídeos é a rápida degradação no corpo humano. Enzimas conhecidas como proteases quebram essas moléculas em pouco tempo, reduzindo sua eficácia terapêutica.
Ao “fechar” o peptídeo em forma de anel, a nova técnica dificulta essa degradação, prolongando a meia-vida do medicamento e potencialmente aumentando seu efeito clínico.
Os resultados indicam que a PapB pode funcionar como uma ferramenta versátil para modificar medicamentos mesmo em estágios avançados de desenvolvimento. Isso abre caminho para terapias mais estáveis, precisas e com maior duração.
A tecnologia também pode ser aplicada em larga escala, já que dispensa etapas químicas complexas, facilitando a produção.
Segundo os pesquisadores, a abordagem pode complementar estruturas já utilizadas pela indústria farmacêutica, tornando os medicamentos mais eficientes sem alterar sua base.