Ciência

Estrela que engoliu um planeta pode estar prestes a 'devorar' outro

O sistema TOI-5882, a 1.300 anos-luz da Terra, reúne evidências de que uma anã marrom será o próximo alvo

Anã marrom: cientistas apontam que o objeto celeste pode ter lançado um planeta em direção à estrela (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Anã marrom: cientistas apontam que o objeto celeste pode ter lançado um planeta em direção à estrela (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 11 de julho de 2026 às 08h03.

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Uma estrela localizada a cerca de 1.300 anos-luz da Terra pode ter "engolido" um planeta e estar a caminho de consumir uma anã marrom que orbita o mesmo sistema. A conclusão é apresentada em dois estudos publicados nas revistas The Astrophysical Journal e The Astrophysical Journal Letters, que investigaram o sistema estelar TOI-5882.

Os pesquisadores encontraram evidências químicas compatíveis com o chamado engolfamento planetário, fenômeno em que uma estrela absorve um planeta. Além disso, modelos indicam que a anã marrom TOI-5882-b também poderá ser engolida no futuro.

Segundo os autores, o sistema oferece uma oportunidade rara para compreender como estrelas, exoplanetas e outros corpos evoluem ao longo de bilhões de anos.

Evidências do engolfamento planetário

O interesse dos astrônomos pelo sistema TOI-5882 começou após a identificação de uma anã marrom orbitando muito próxima da estrela. Ao analisar a luz emitida pelo astro, os pesquisadores encontraram níveis elevados de lítio, elemento químico normalmente mais abundante em planetas do que em estrelas.

Embora outros mecanismos possam aumentar a concentração desse elemento em determinadas fases da evolução estelar, os cientistas afirmam que a idade da TOI-5882 torna essas explicações menos prováveis.

Por isso, a hipótese considerada mais consistente é que a estrela tenha absorvido um planeta em algum momento dos últimos dois bilhões de anos. Segundo os pesquisadores, esse mundo poderia ter dimensões semelhantes às de uma Superterra ou massa comparável à de Netuno.

O papel da anã marrom no sistema

Os cientistas também investigaram a influência da anã marrom TOI-5882-b, objeto com aproximadamente 22 vezes a massa de Júpiter. De acordo com os modelos apresentados, sua intensa gravidade pode ter desestabilizado a órbita do planeta, lançando-o em direção à estrela.

Na projeção dos pesquisadores, absorção desse mundo provavelmente ocorreu em poucos dias ou semanas. No entanto, os vestígios químicos deixados pelo evento podem permanecer registrados na estrela durante bilhões de anos.

Agora, a própria anã marrom parece caminhar para um destino semelhante. As novas simulações indicam que ela está migrando em direção à estrela mais rapidamente do que estimativas anteriores sugeriam.

Enquanto estudos anteriores projetavam esse processo para cerca de 110 milhões de anos, os novos cálculos apontam que o início do engolfamento poderá ocorrer entre 25 milhões e 30 milhões de anos.

O que o sistema TOI-5882 pode revelar

Dessa forma, os autores afirmam que sistemas como o TOI-5882 funcionam como laboratórios naturais para investigar processos que dificilmente podem ser observados em tempo real. Isso acontece porque o engolfamento planetário costuma ocorrer em poucos dias ou semanas, enquanto as assinaturas químicas deixadas por esse tipo de evento permanecem detectáveis durante bilhões de anos.

Ao combinar análises da composição química da estrela com modelos das órbitas e das interações gravitacionais do sistema, os pesquisadores conseguem reconstruir parte da história de sua evolução.

Diante disso, a equipe destacou que pretende continuar observando a TOI-5882 em busca de novas evidências que ajudem a confirmar como ocorreu a destruição do planeta e a compreender melhor a interação entre a estrela e a anã marrom.

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