Objeto 2002 XV93: fenômeno foi identificado por ocultação estelar e pode indicar um processo ainda desconhecido (NAOJ / Ko Arimatsu)
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Publicado em 6 de maio de 2026 às 11h12.
Astrônomos identificaram uma atmosfera extremamente tênue ao redor do objeto transnetuniano 2002 XV93, localizado além da órbita de Netuno.
A descoberta chama atenção por se tratar de um tipo de corpo celeste considerado pequeno demais para reter gases por longos períodos.
O estudo, conduzido por pesquisadores do Institutos Nacionais de Ciências Naturais e publicado na revista Nature Astronomy, indica que essa camada gasosa pode ser recente ou estar sendo continuamente reabastecida.
A evidência surgiu a partir de um fenômeno conhecido como ocultação estelar. Em janeiro de 2024, o objeto passou em frente a uma estrela distante, permitindo analisar como sua luz era bloqueada. Sem atmosfera, o desaparecimento ocorreria de forma abrupta.
No entanto, os pesquisadores observaram um escurecimento gradual — padrão típico quando a luz atravessa uma fina camada de gás ao redor do corpo.
Objetos transnetunianos — região que inclui Plutão — possuem baixa gravidade e temperaturas extremamente baixas, o que dificulta a retenção de gases.
No caso do 2002 XV93, o desafio é ainda maior. Com cerca de 500 km de diâmetro, esse corpo é significativamente menor que Plutão. Em teoria, uma estrutura desse porte não conseguiria manter uma atmosfera por muito tempo.
De acordo com o estudo, modelos indicam que essa atmosfera deve desaparecer em menos de mil anos, caso não exista um mecanismo ativo de reposição. Isso sugere que o fenômeno é recente ou está sendo continuamente alimentado.
Uma possibilidade é que gases estejam sendo liberados do interior do próprio objeto. Outra hipótese considerada envolve impactos recentes com cometas ou outros corpos do Cinturão de Kuiper, que poderiam ter liberado material suficiente para formar uma atmosfera temporária.
Observações feitas com o Telescópio Espacial James Webb não identificaram sinais claros de gelo superficial capaz de sustentar essa camada gasosa de forma gradual, o que reforça o mistério.
Segundo os pesquisadores, a presença de gás em um objeto tão pequeno sugere que o Sistema Solar externo pode ser mais dinâmico do que se pensava. O achado pode levar à revisão de modelos sobre a formação e evolução de atmosferas em corpos gelados e distantes.
Novas observações serão essenciais para confirmar a composição dessa atmosfera, entender sua origem e avaliar se o 2002 XV93 é um caso isolado ou parte de um fenômeno mais comum — o que pode ampliar o conhecimento sobre processos ainda pouco compreendidos nessa região do espaço.