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Lula diz que 'não há justificativa' para tarifaço dos EUA

O presidente brasileiro se manifestou sobre a tarifa de 25% que será aplicada pelo governo dos EUA ao Brasil a partir da próxima semana

Lula: presidente brasileiro se manifestou sobre a tarifa de 25% que será aplicada pelo governo dos EUA ao Brasil a partir da próxima semana (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Lula: presidente brasileiro se manifestou sobre a tarifa de 25% que será aplicada pelo governo dos EUA ao Brasil a partir da próxima semana (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 17 de julho de 2026 às 08h06.

Última atualização em 17 de julho de 2026 às 08h20.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 16, que "não há justificativa" para a tarifa de 25% aplicada pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil. A taxação foi confirmada pelo governo de Donald Trump nesta quarta-feira, 15, e passará a valer a partir da próxima semana.

Em publicação nas redes sociais, Lula disse que o governo brasileiro buscou negociar desde o início das discussões e reafirmou que não abrirá mão de temas considerados estratégicos para o país.

"Desde o primeiro momento, buscamos o diálogo e enfatizamos nossa disposição de negociar. Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas. Não vamos abrir mão de defender o nosso Pix, a nossa soberania e os produtores brasileiros", escreveu o presidente.

Em outra publicação, Lula afirmou que o governo dará prioridade aos setores afetados pela medida americana.

"Nosso governo está e sempre estará ao lado do povo brasileiro. Diante de uma tarifação injusta e ilegal, seguimos firmes no apoio aos setores atingidos", afirmou.

Também nesta quinta-feira, o presidente compartilhou uma imagem com a mão sobre a bandeira do Brasil e escreveu que "o Brasil não vacilará no dever de defender e preservar nossa soberania".

Governo prepara resposta ao tarifaço

Na madrugada desta quinta-feira, o Palácio do Planalto divulgou uma nota em que repudiou a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), anunciou que poderá recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e criticou a decisão do governo americano.

À tarde, ministros do governo, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, concederam uma entrevista coletiva para detalhar a estratégia do Executivo.

O presidente Lula, com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ao embarcar para Barcelona, na quinta-feira, 16

Geraldo Alckmin: vice-presidente afirmou que Lei de Reciprocidade poderá ser utilizada (Ricardo Stuckert/PR)

Segundo dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a nova tarifa atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos embarques de 2024. Considerando os dados de 2025, a parcela afetada corresponde a 15% das exportações, ou US$ 5,8 bilhões.

Alckmin afirmou que a Lei de Reciprocidade poderá ser utilizada "no momento adequado", mas ressaltou que o instrumento não tem caráter retaliatório.

"O governo, no momento adequado, saberá como implementá-la. Não é retaliatória. O que existe é uma lei defendendo o interesse nacional, da economia brasileira", disse o vice-presidente.

Pela legislação, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) poderá suspender concessões comerciais e de investimentos, além de adotar outras medidas contra países que prejudiquem a competitividade dos produtos brasileiros. Antes disso, porém, o governo deverá tentar uma negociação direta e recorrer a organismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Galípolo rebate críticas ao Pix

Durante a coletiva, o presidente do Banco Central também respondeu às críticas feitas pelos Estados Unidos ao Pix, apontado pelo USTR como um dos fatores que motivaram a tarifa de 25%.

Galípolo afirmou que o sistema continuará sendo oferecido de forma "gratuita, segura e instantânea" e classificou os argumentos americanos como uma tentativa de justificar a medida comercial.

Galípolo: o presidente do BC faz defesa do Pix e rebate as críticas do governo norte-americano (Lula Marques/Agência Brasil)

"Os argumentos contra o Pix configuram o caso mais flagrante que tentam criar uma lógica para aplicar tarifas. Vamos seguir fornecendo o Pix como algo gratuito, seguro e instantâneo", afirmou.

Segundo o presidente do Banco Central, o Pix não prejudicou o mercado de cartões de pagamento. Pelo contrário: desde sua implementação, o setor teria crescido cerca de 150%. De acordo com Galípolo, quem perdeu espaço foi principalmente o uso de cheques e dinheiro em espécie.

Ele também afirmou que o modelo brasileiro se tornou referência internacional e informou que o Banco Central já firmou mais de 47 acordos de cooperação técnica com outros bancos centrais interessados em desenvolver sistemas de pagamentos instantâneos semelhantes.

Com O Globo

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