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'O Cavaleiro dos 7 Reinos': a prova de que menos é muito mais em Westeros

Em entrevista à Casual EXAME, Peter Claffey e Dexter Sol Ansell revelam os bastidores do novo spin-off de 'Game of Thrones'

O Cavaleiro dos Sete Reinos: já disponível na HBO Max (Steffan Hill/HBO)

O Cavaleiro dos Sete Reinos: já disponível na HBO Max (Steffan Hill/HBO)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 20h50.

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Depois de mudar o rumo da TV com Game of Thrones e provar que ainda há apetite da audiência com House of the Dragon, a HBO está de volta à Westeros, em 2026, com o spin-off O Cavaleiro dos Sete Reinos. Mas não do jeito que o público espera.

Menos complexa que as outras duas séries do universo, conhecidas pela multidão de protagonistas, a nova produção vive bem do protagonismo de dois personagens: Sir Duncan (Peter Claffey), um cavaleiro aspirante que tenta a sorte em um torneio, em busca de dinheiro, e Egg (Dexter Sol Ansell), um menino órfão que implora para ser seu escudeiro.

Até aí, o bolo parece andar como na receita. O que muda por aqui é que o roteiro acrescenta nesse universo, tomado pelos imprevistos viscerais, uma boa porção de comédia.

“É um jeito diferente das outras produções, ainda que muito fiel à história original, de olhar para o universo de George R. R. Martin”, contou o ator Peter Claffey à Casual EXAME durante a passagem do elenco pela CCXP25. “Foi divertido, e eu acho que é um universo que ainda não tinha vivido um pouco de comédia, sem perder tantos sentimentos.”

Ainda que se distancie do drama intenso das produções antecessoras e passe longe dos tão idolatrados dragões, há aqui todos os clássicos de Westeros: intrigas políticas, grandes lutas sangrentas, construção de família. E uma química fraterna entre Claffey e Sol Ansell que aquece o peito.

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'O Cavaleiro dos Sete Reinos': série se passa em um período diferente da história de Westeros (HBO Max/Divulgação)

O gigante amoroso

Adaptada do livro homônimo de George R. R. Martin, a trama de O Cavaleiro dos Sete Reinos se passa alguns anos depois da Dança dos Dragões – que começou a ser formada em House of the Dragon — e um pouco antes dos eventos de Game of Thrones. Longe do disputado Trono de Ferro, toda a história fica contida na duração do torneio de cavaleiros, a ser disputada com lanças.

Sir Ducan, neste caso, parece desprovido de todas as vantagens: não tem as roupas adequadas, as técnicas são quase inexistentes, os cavalos, medrosos. O que não falta, no entanto, é a honra, os valores e a ternura. É uma dicotomia que se complementa: um gigante ingênuo e destrambelhado — mesmo, muito acima da média —, com tudo a perder, mas com um coração tão doce que é quase impossível se deixar derreter por ele, ao menos um pouco.

É algo parecido com a personalidade que o público amou em Ned Stark (Sean Bean), na primeira temporada de Game of Thrones. Mas longe do sangrento e revoltante plot twist do penúltimo episódio.

“Interpretá-lo foi algo bem íntimo para mim, porque além do roteiro, eu li todos os livros várias e várias vezes. Tinha muito material para entregar algo o mais justo possível com o material original”, acrescentou Claffey na entrevista. “E eu sinto mesmo que as cenas mostrando a realidade do Duncan acabam aproximando as pessoas”.

... E seu fiel escudeiro

Do lado oposto ao gigante amoroso está seu pequeno escudeiro. Egg é um garoto misterioso de 11 anos, que se diz órfão e sonha em assistir ao torneio, mas tem um propósito muito maior do que aparenta. Se Duncan é amoroso e ingênuo, Egg, de início, tem menos simpatia que o companheiro — e, em vários momentos, mostra-se mais maduro que ele também.

“Tive um trabalho intenso com os nossos roteiristas e com o George [R. R. Martin] para entrar no personagem”, disse Dexter em entrevista à Casual EXAME. “E sou grato, porque senti uma oportunidade sensacional de vivê-lo.”

Com também 11 anos, Dexter é um ator-mirim britânico em ascensão. Já havia mostrado parte do talento em Jogos Vorazes: A Balada dos Pássaros e das Serpentes, em que interpreta o jovem Coriolanus Snow. Mas aqui, no universo de Martin, há mais tempo para mostrar seu potencial.

O comprometimento com o personagem, contou ele, começou com o cabelo.

“Eu tive que raspar minha cabeça. E eu sou grato, de verdade, de não ser careca de nascença. Porque sinto que só sou o Egg quando eu raspo o cabelo”, disse o ator à Casual EXAME. “Foi importante para mim essa etapa, é uma grande responsabilidade e comprometimento com o personagem. E foi uma exigência do George. Ele falou que não queria próteses, era para raspar mesmo.”

Ao longo da série, o personagem cresce tanto física quanto emocionalmente. E a relação dele com Duncan vai, pouco a pouco, do desconhecido para o fraterno.

A primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos terá oito episódios com pouco mais de meia-hora cada. Os capítulos vão ao ar todos pelos canais da HBO e pelo streaming aos domingos, a partir das 22h.

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