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Como este boné se tornou uma das peças mais replicadas do mundo

Fabricado por uma única empresa desde 1993, o acessório circula por vitrines de luxo, coleções de streetwear e o guarda-roupa cotidiano em qualquer continente

Boné azul dos Yankees em produção de street style, reflexo de como o acessório virou peça-chave da moda mesmo fora do universo esportivo (Reprodução/Instagram)

Boné azul dos Yankees em produção de street style, reflexo de como o acessório virou peça-chave da moda mesmo fora do universo esportivo (Reprodução/Instagram)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 10h37.

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Poucas peças de vestuário atravessam categorias de moda com a facilidade do boné dos Yankees. O mesmo modelo aparece em desfiles de grifes europeias, em coleções de marcas de streetwear e em prateleiras de lojas de conveniência, mantendo a mesma estrutura básica desde os anos 1950. Essa constância de design, somada a um controle raro de fabricação, ajuda a explicar por que o objeto se tornou referência de estilo muito além do universo esportivo que lhe deu origem.

O acessório custa em torno de 40 dólares, o equivalente a R$ 204 na cotação atual, preço praticamente igual em qualquer ponto de venda do mundo. Essa previsibilidade de valor é parte do motivo pelo qual a peça circula tanto entre consumidores de moda de luxo quanto entre quem simplesmente busca um acessório funcional para o dia a dia.

Uma estrutura que não muda desde os anos 1950

Boné 59Fifty em versão navy, o modelo estruturado de seis painéis lançado pela New Era em 1954 (Reprodução/Paul-Friends)

O modelo mais usado hoje, conhecido como 59Fifty, foi criado em 1954 pelo designer Harold Koch, filho do fundador da fabricante New Era. A construção reúne seis painéis de tecido, geralmente uma mistura de lã e algodão, aba rígida e fechamento ajustado sem elástico. É essa simplicidade de montagem que permite ao boné funcionar como uma peça neutra, capaz de compor tanto um look casual quanto uma produção mais elaborada, sem exigir combinação com outras roupas.

O logotipo bordado na frente, as letras N e Y entrelaçadas, tem uma origem que remonta a 1877, quando foi desenhado pela joalheria Tiffany & Co. para uma medalha da polícia de Nova York. A simplicidade gráfica do símbolo, sem ilustrações ou elementos figurativos, é apontada por profissionais de moda como um dos motivos de sua longevidade visual. Um desenho reduzido a duas letras se adapta bem a qualquer escala, do bordado em um boné até uma estampa ampliada em uma peça de coleção.

O controle do mercado

Spike Lee - Boné Yankees

Spike Lee usa boné vermelho dos Yankees, cor fora do padrão do time, criada em parceria com a New Era em 1996 (Reprodução/Instagram)

Desde 1993 a New Era é a fornecedora exclusiva dos bonés oficiais de toda a liga de beisebol norte-americana, o que inclui o modelo dos Yankees. Em 2024, a companhia adquiriu a '47, até então sua principal concorrente na produção de bonés licenciados, consolidando ainda mais o controle sobre esse segmento específico do mercado de acessórios esportivos. Fundada em 1920 em Buffalo, no estado de Nova York, pelo imigrante alemão Ehrhardt Koch, a empresa nasceu como fabricante de chapéus comuns e só entrou no setor esportivo em 1934, com um contrato para produzir bonés do Cleveland Indians.

Essa concentração de fabricação tem um efeito direto sobre a moda. Como o tecido, o corte e o preço são praticamente idênticos entre os bonés de qualquer time licenciado pela mesma empresa, a diferença de desejo entre um modelo e outro não vem de uma característica exclusiva de produto. Ela vem inteiramente da força simbólica de cada logotipo, o que torna o caso dos Yankees um exemplo raro de vantagem construída sobre uma peça sem nenhuma exclusividade técnica.

Da moda de rua às vitrines de grife

Boné assinado pela Gucci com o monograma GG, um dos exemplos da entrada do acessório no circuito de moda de luxo (Divulgação)

A adoção do boné por marcas de luxo é relativamente recente. A grife Gucci apresentou o modelo em desfile no fim da década de 2010, e a japonesa Yohji Yamamoto passou a incluir versões da peça em coleções cápsula recorrentes. Antes disso, o acessório já circulava havia décadas em cenas de moda urbana ligadas ao hip-hop novaiorquino, um percurso paralelo ao do próprio streetwear como categoria de mercado.

A combinação entre esse histórico de rua e a chegada ao circuito de luxo ajuda a explicar a presença constante do boné em coleções de colaboração, que já incluíram marcas de streetwear, casas de moda japonesas e até parcerias com joalherias.

Os números que confirmam o movimento

De acordo com dados de busca levantados pela plataforma Lyst, a procura pelo boné dos Yankees cresceu 916% entre dezembro de 2020 e abril de 2021, impulsionada por conteúdo viral nas redes sociais durante um período em que peças de vestir sem esforço dominaram o consumo global. No Brasil, um novo pico elevou a demanda em 377% em poucos meses, número que a Lyst atribui a um momento específico de repercussão local do acessório.

Esse crescimento acompanha um movimento mais amplo na moda de rua, que voltou a valorizar referências esportivas e peças com marca visível depois de anos de estética discreta. A tendência coloca o boné dos Yankees no centro de dois ciclos de nostalgia que operam ao mesmo tempo, um voltado à estética dos anos 2000 e outro às referências dos anos 1990, o que mantém a peça relevante em públicos e faixas etárias bastante diferentes entre si.

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