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As grifes que transformaram lojas em obras de arquitetura

Marcas de luxo apostam em prédios assinados por arquitetos de renome para justificar a visita física em tempos de compra online

Os painéis de resina e fibra de vidro remetem à modelagem dos tecidos usados na alta-costura da Dior (Divulgação)

Os painéis de resina e fibra de vidro remetem à modelagem dos tecidos usados na alta-costura da Dior (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 06h30.

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O comércio de moda de luxo enfrenta um problema recente: qualquer peça pode ser comprada em segundos, sem que o cliente precise colocar os pés fora de casa. Para driblar essa realidade, grifes ao redor do mundo passaram a investir pesado em projetos arquitetônicos que funcionam como atração isolada, muitas vezes concebidos por nomes premiados fora do universo da moda.

Essas construções aparecem em cidades como Tóquio, Seul e Paris, e têm características bem diferentes entre si. Algumas priorizam volumes monumentais capazes de virar marco urbano. Outras preferem ambientes intimistas, quase domésticos. Há ainda quem misture varejo com tecnologia e gastronomia em um único endereço.

Tokujin Yoshioka assina o flagship mais recente da lista

Mesa de alumínio de mais de dez metros no novo flagship da BAO BAO ISSEY MIYAKE, em Aoyama (Divulgação)

O caso mais novo é da BAO BAO ISSEY MIYAKE, que inaugurou em 24 de abril de 2026 seu primeiro flagship dedicado ao mercado japonês, no bairro de Aoyama, em Tóquio. A assinatura do projeto é do designer Tokujin Yoshioka, colaborador histórico da Issey Miyake e responsável por outras lojas da marca em Paris, Milão e Londres.

O ambiente é dominado por uma mesa de alumínio com mais de dez metros de comprimento, posicionada como se flutuasse no centro da loja. A peça dialoga com a geometria triangular que identifica as bolsas BAO BAO. O espaço também abriga o BAO BAO ISSEY MIYAKE LAB., voltado a pesquisas e parcerias com criadores convidados para testar novos formatos a partir desse módulo triangular.

Gentle Monster reúne três marcas em Seul

Instalação na HAUS DOSAN, projeto da Gentle Monster que reúne óculos, cosméticos e sobremesas em Seul (Divulgação)

Em Seul, a Gentle Monster levou o conceito de loja para um território próximo do parque temático. A HAUS DOSAN, primeiro projeto batizado sob o tema Unopened: Future, ocupa cinco andares na região de Dosan Park e combina óculos, cosméticos e sobremesas em um mesmo endereço. O segundo piso concentra armações ópticas, enquanto o terceiro é dedicado aos óculos de sol e abriga THE PROBE, um robô de seis pernas criado pelo laboratório de robótica da própria empresa após um ano de desenvolvimento.

A marca de cosméticos Tamburins ocupa o quarto andar, com peças assinadas por artistas como Chulan Kwak e Casper Kang, e o subsolo é reservado à confeitaria Nudake, que expõe suas criações em uma longa mesa central.

Lemaire troca monumentalidade por conforto doméstico

Interior do flagship da Lemaire na rua Élzevir, em Paris, aberta em março de 2023 (Divulgação)

A Lemaire seguiu direção oposta em sua flagship parisiense. Inaugurado em março de 2023 na rua Élzevir, no Marais, o espaço de aproximadamente 340 metros quadrados foi projetado pela própria equipe interna da marca, sem a assinatura de um escritório externo famoso. Ladrilhos artesanais bejmat, tapetes de fibra de abacá e móveis de madeira dividem o ambiente com peças de cerâmica do estúdio catalão Apparatu.

O resultado lembra menos uma boutique tradicional e mais uma casa habitada havia anos, coerente com o discurso de funcionalidade e durabilidade que Christophe Lemaire e Sarah-Linh Tran repetem desde a fundação da marca.

Alaïa transforma o ponto de venda em experiência sensorial

Escada em espiral no novo endereço da Alaïa, assinado por Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa em parceria com Pieter Mulier (Divulgação)

A Alaïa escolheu o caminho da colaboração com arquitetos de fora do universo da moda para seu terceiro endereço em Paris. Aberta em 21 de janeiro de 2025 na rua do Faubourg Saint-Honoré, a loja foi assinada por Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, fundadores do escritório japonês SANAA vencedor do Pritzker em 2010, em parceria com o diretor criativo Pieter Mulier.

O térreo é organizado em quatro volumes tubulares e translúcidos, em tom rosado, inspirados na ideia de segunda pele que orienta as modelagens da grife. Obras de artistas como Diamond Stingily e mobiliário assinado por Ron Arad completam um ambiente que se aproxima mais de uma instalação artística do que de uma loja convencional.

Dior mantém a estratégia de construir prédios próprios

Fachada da House of Dior em Cheongdam-dong, projetada por Christian de Portzamparc e inaugurada em 2015 (Divulgação)

A Dior foi uma das pioneiras nesse movimento de transformar a loja em landmark arquitetônico. A House of Dior, em Cheongdam-dong, Seul, existe desde 2015 e foi projetada pelo arquiteto francês Christian de Portzamparc, vencedor do Pritzker em 1994.

O edifício de seis andares é revestido por painéis curvos de resina e fibra de vidro que remetem à modelagem de tecidos usada na alta-costura da maison. Os interiores ficaram a cargo de Peter Marino, parceiro de longa data da grife em projetos ao redor do mundo, incluindo lojas em Tóquio e Pequim.

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