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A França quer encarecer a moda da Shein — e mudar o jeito de comprar roupas

Lei prevê cobrança progressiva por peça, proibição de publicidade a partir de 2027 e mantém isenção para marcas europeias como Zara e H&M

Consumidoras exibem compras da Shein em pop-up da marca na Europa, alvo direto da nova taxa francesa contra a moda ultrarrápida (Getty Images)

Consumidoras exibem compras da Shein em pop-up da marca na Europa, alvo direto da nova taxa francesa contra a moda ultrarrápida (Getty Images)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 13h38.

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A França passou a aplicar, desde 1º de setembro, uma taxa ambiental sobre peças de moda ultrarrápida vendidas no país. A medida está prevista na lei nº 2026-602, promulgada em 8 de julho após dois anos e meio de tramitação no parlamento francês, e mira diretamente plataformas como Shein, Temu e AliExpress.

Zara, H&M, Primark e Uniqlo ficam praticamente fora do alcance da nova regra, já que estão estabelecidas na União Europeia e os critérios da lei foram calibrados para não atingi-las. O texto define moda ultrarrápida por características do modelo de negócio, como volume muito alto de novos itens lançados e baixo incentivo ao reparo das peças, e não por uma lista fechada de marcas.

Valores e prazos

A cobrança é paga ao órgão responsável pela reciclagem têxtil na França, a Refashion, e varia de 0,25 a 12 euros por peça em 2026, o equivalente a cerca de R$ 1,50 a R$ 71. Até 2030, a faixa sobe para valores entre 2 e 20 euros, próximo de R$ 12 a R$ 118, sempre limitada a no máximo 50% do preço do produto sem impostos.

A partir de 1º de janeiro de 2027, marcas de moda ultrarrápida ficam proibidas de anunciar seus produtos na França, restrição que também vale para influenciadores. O descumprimento pode gerar multa de até 20 mil euros para pessoas físicas, cerca de R$ 118 mil, e 100 mil euros para empresas, próximo de R$ 590 mil. Esse ponto da lei ainda depende de validação da Comissão Europeia para entrar em vigor.

Outras frentes regulatórias

Um cliente carrega uma sacola da varejista de fast fashion Shein em seu dia de inauguração na loja de departamentos BHV em Angers, oeste da França, em 25 de fevereiro de 2026.

Cliente deixa loja da Shein com sacola em mãos, cenário que pode mudar com o encarecimento das peças na França ( Loic VENANCE / AFP via Getty Images)

A nova regra se soma a uma mudança recente nas regras aduaneiras da União Europeia. Desde 1º de julho, encomendas internacionais de até 150 euros, cerca de R$ 885, passaram a pagar uma taxa fixa de 3 euros por categoria de produto, próximo de R$ 18. Segundo o ministério da Economia francês, a medida derrubou entre 30% e 40% o volume de pequenos pacotes importados da China para o bloco em apenas um mês.

O pano de fundo ambiental também pesa na discussão. Dados da Agência Europeia do Meio Ambiente mostram que o consumo de têxteis por pessoa na União Europeia passou de 17 quilos em 2019 para 19 quilos em 2022, e que entre 4% e 9% dos produtos têxteis colocados no mercado europeu são destruídos antes de chegar ao consumidor, o equivalente a até 594 mil toneladas por ano.

O conjunto de medidas chega no mesmo período em que a Shein estreou na bolsa de Hong Kong, avaliada em cerca de US$ 26,5 bilhões, próximo de R$ 137 bilhões, bem abaixo dos US$ 100 bilhões, cerca de R$ 516 bilhões, atingidos pela companhia em rodadas de investimento privado em 2022.

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