Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante convenção Federação Brasil da Esperança, no Parque de Exposições, Salvador (BA): nova candidatura será oficializada neste domingo, 2, em São Paulo. (Ricardo Stuckert/Flickr)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 2 de agosto de 2026 às 12h02.
Última atualização em 2 de agosto de 2026 às 15h03.
Em uma convenção com cerca de 3 mil correligionários, o Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou neste domingo, 2, em São Paulo, a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que terá novamente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como companheiro de chapa. Aos 80 anos, o petista disputará sua sétima eleição presidencial em busca de um quarto mandato.
Lula abriu a campanha com um discurso mais combativo, acenos ao eleitorado feminino e sinalizações sobre a sucessão no partido.
Em seu discurso, Lula se comparou com Pelé ao dizer que vai para a "sétima Copa", em alusão a suas eleições. Disse também que não será na campanha o "Lulinha paz e amor" de 2002, mas sim uma versão "porreta". O presidente também sinalizou que o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, deverá ser seu sucessor.
Ao se apresentar como um candidato experiente, o presidente afirmou que, embora o Rei do Futebol tenha disputado quatro Copas do Mundo e seja considerado o maior atleta do século 20, ele chega à sua "sétima Copa", em referência às sete campanhas presidenciais que disputou.
"O Pelé, que foi o grande astro do futebol do século 20, considerado o atleta do século, só disputou quatro Copas. (...) O que eles não sabem é que essa Copa minha é a sétima", afirmou, sob aplausos dos militantes.
Lula também disse em seu discurso que não vai ser o "Lulinha paz e amor" nesta campanha, mas sim um "Lulinha porreta", numa referência ao discurso mais centrista que o elegeu pela primeira vez, em 2002. "Eu não quero Lulinha paz e amor, eu quero Lula porreta. Eu quero Lula que vai fazer o que a gente ainda não fez. Porque o básico nós já cuidamos", afirmou.
O presidente pediu à militância que defenda as entregas de seu governo e ressaltou bons indicadores na economia e as obras do Novo PAC pelo país.
O presidente abriu seu discurso na convenção, contudo, com uma crítica à ausência de falas de mulheres no evento. Lula, então, chamou Janja para discursar. Ao iniciar sua fala, Janja afirmou que as mulheres precisam "se reafirmar todos os dias" e homenageou as militantes presentes na convenção.
Segundo ela, são as mulheres que conciliam trabalho, cuidados com a família e as tarefas domésticas, além de desempenharem um papel central na campanha pela reeleição de Lula.
A urna é tão competente que não aceita voto de argentino e americano, diz AlckminAo retomar a fala, Lula durante também sinalizou que o seu ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, poderá ser seu sucessor na Presidência da República, durante o evento que oficializou sua candidatura à reeleição com Geraldo Alckmin na vice-presidência.
"Agora que nós estamos com o básico garantido, agora é hora de dar um salto de qualidade. É hora de pensar neste país. Qual é o país do futuro que eu vou entregar, quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por oito anos, estiver sendo presidente da República", disse Lula.
O petista também fez comentários sobre a acusação do Novo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que sua campanha fez propaganda eleitoral antecipada. No sábado, o presidente participou da convenção do PT na Bahia, em Salvador, e pediu votos para si mesmo e para o governador baiano, Jerônimo Rodrigues (PT) e para os pré-candidatos ao Senado na chapa petista no Estado, Jaques Wagner e Rui Costa, o que foi alvo de representação do partido.
"Eu estou falando aqui e não posso pedir votos. O que eu falei na Bahia, vou ser multado (pela Justiça Eleitoral). Só pode pedir voto depois do dia 15 (de agosto)", afirmou Lula. A campanha eleitoral começa oficialmente no dia 16 de agosto.
O clima do evento foi de euforia entre a militância petista, em boa medida devido aos números das pesquisas de intenção de voto que mostram a dianteira de Lula em relação ao seu principal rival na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A campanha bolsonarista tem enfrentado crises sucessivas em sua pré-campanha, desde a revelação de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, até rusgas internas dentro da família Bolsonaro, além da identificação, por uma parcela significativa da população, de que os novos tarifaços dos Estados Unidos contra exportações brasileiras estão relacionados aos Bolsonaro.
Os dois tarifaços anunciados contra o Brasil em julho são vistos pela campanha como uma oportunidade para Lula se associar à defesa da soberania e ao patriotismo, que devem ser motes de peças nas próximas semanas.
Durante a convenção, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), pré-candidata ao Senado na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, afirmou que "o lado de lá" vai apostar na desinformação e "vir com tudo" na campanha.
"Não tem ninguém que foi pago para estar aqui, as pessoas estão aqui por amor e gratidão ao presidente Lula. Eles vão vir com tudo, com fake news, e vamos devolver com verdade. Temos os números e a economia a nosso favor. De hoje a 4 de outubro, vamos dormir de olho aberto", afirmou.
Ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), vice da chapa de Haddad, disse em seu discurso que o favoritismo de Lula "pode gerar uma eleição que será definida em primeiro turno".
Apesar desse discurso, Lula chega à convenção como favorito nas pesquisas, mas sua campanha prevê uma disputa apertada. A mais recente pesquisa Datafolha mostra o presidente com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 43%.
O levantamento foi realizado entre 22 e 24 de julho, e a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com o nível de confiança de 95%.
As investigações da Polícia Federal (PF) sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, são consideradas pela campanha como debilidades que devem ser exploradas pelos adversários de Lula para tentar ampliar a rejeição do presidente.
Nesta semana, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a corporação a investigar supostos crimes de tráfico de influência e de corrupção que teriam sido cometidos por Lulinha. A PF vai apurar se o filho do presidente buscou favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", junto ao Ministério da Saúde e à Dataprev.
Reservadamente, lideranças petistas e membros da campanha veem impacto limitado das investigações, dado que Lula já disse, reiteradamente, que, se o filho for considerado culpado, tem de ser punido. As investigações, no entanto, causam incômodo à cúpula da campanha.
O fato de Mendonça ter sido indicado por Jair Bolsonaro é usado como argumento por aliados de Lula de que há motivação eleitoral na decisão.
A campanha do petista aposta nos jingles "Rap do Silva", de autoria do MC Rob Rum, e "Tapete Vermelho", interpretado pela cantora gospel evangélica Aline Paula, para atrair a atenção de jovens e evangélicos, públicos entre os quais Lula ainda não é favorito.
“É o Lula da Silva / É a estrela que brilha / Ele é brasileiro, trabalhador e família”, diz trecho do rap.