Pop

Por que Benedict Cumberbatch tenta impedir a compra da Warner pela Paramount

Ator defende que o governo britânico intervenha na compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount por razões de interesse público

Benedict Cumberbatch e Benedict Wong: enquanto a fusão enfrenta ações judiciais nos Estados Unidos, artistas pedem uma investigação mais ampla no Reino Unido (Disney/Marvel/Divulgação)

Benedict Cumberbatch e Benedict Wong: enquanto a fusão enfrenta ações judiciais nos Estados Unidos, artistas pedem uma investigação mais ampla no Reino Unido (Disney/Marvel/Divulgação)

Publicado em 28 de julho de 2026 às 17h00.

Tudo sobreAtores e atrizes
Saiba mais

Benedict Cumberbatch, Alan Cumming e Benedict Wong entraram na disputa em torno da fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery.

Os três atores publicaram um artigo de opinião no jornal The Guardian pedindo que o governo do Reino Unido intervenha para impedir o acordo, avaliado em cerca de US$ 111 bilhões, por considerarem que ele representa riscos para a indústria audiovisual britânica e para o interesse público.

O que os atores defendem?

No texto, os artistas afirmam que a concentração de grandes estúdios pode reduzir a diversidade de produções, diminuir oportunidades para profissionais do setor e comprometer a pluralidade da mídia.

Eles também destacam o peso econômico da indústria cinematográfica e televisiva britânica, que sustenta mais de 180 mil empregos, movimentou 6,8 bilhões de libras em produções no último ano e gera aproximadamente 12 bilhões de libras anuais para a economia do país.

A secretária de Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, que permaneceu no cargo após a reforma ministerial promovida pelo novo primeiro-ministro Andy Burnham, já afirmou que está "inclinada a intervir" na fusão. Caso seja aprovada, a operação tem potencial para remodelar Hollywood e influenciar toda a indústria global de cinema e televisão.

Preocupação com empregos e produções

O artigo também aponta que a nova empresa resultante da fusão carregaria uma dívida estimada em US$ 84 bilhões. Os atores afirmam que a promessa de gerar cerca de US$ 6 bilhões em sinergias costuma significar cortes de custos, redução de equipes e menos investimentos em novos filmes e séries.

Eles lembram que movimentos semelhantes ocorreram após a união entre WarnerMedia e Discovery, em 2022, e depois da aquisição da Paramount pela Skydance.

Outro argumento apresentado é que o mercado de cinema independente já enfrenta dificuldades. Como exemplo, os atores citam que as aquisições de filmes independentes no Festival de Sundance caíram pela metade entre 2019 e 2025, reduzindo o espaço para produções fora dos grandes estúdios.

No artigo, intitulado "Uma calamidade na TV e no cinema pode ser desastrosa para o que você assiste e para o que você conhece. Aja agora para impedir isso", Benedict Cumberbatch, Benedict Wong, conhecidos por seus papéis no Universo da Marvel, e Alan Cumming ("X-Men 2") escreveram:

"Como atores e figuras públicas que dedicaram suas carreiras às artes na Grã-Bretanha, trabalhando com equipes britânicas, em palcos e produções britânicas, temos uma responsabilidade com o público que apoia, valoriza e consome a arte que produzimos."

No texto, os atores fazem um alerta sobre os impactos da operação. "O Reino Unido está diante de uma fusão de mídia que pode prejudicar nossos trabalhadores, nossa cultura e o público, mas ainda há tempo para impedir isso", escreveram.

Eles também afirmam estar encorajados pelas declarações de Lisa Nandy sobre a possibilidade de abrir uma investigação de interesse público e destacam que a resistência à fusão acontece em diferentes frentes. Como exemplo, citam a ação movida neste mês por 12 estados americanos, liderados pela Califórnia, para barrar o acordo em um tribunal federal. Segundo a ação, a união entre as empresas poderá elevar preços, reduzir a quantidade de filmes produzidos e comprometer a qualidade das produções oferecidas ao público.

Alerta sobre concentração de mídia

Os atores também demonstram preocupação com a concentração de grandes veículos de comunicação sob um mesmo grupo. Entre os exemplos citados estão o Channel 5, uma das principais emissoras abertas do Reino Unido, e a CNN International.

No artigo, eles destacam a importância dos arquivos históricos da CNN e da CBS, que reúnem mais de 4,25 milhões de vídeos, imagens e outros registros produzidos ao longo de quase 50 anos. Segundo o trio, colocar esse acervo sob o controle de um único conglomerado representa um risco para o acesso à informação e para a preservação da memória histórica.

"Os arquivos de notícias da CNN e da CBS estão entre as coleções mais importantes do mundo. Se um único proprietário com interesses comerciais controlar o acesso a ambos, controlará a matéria-prima da nossa memória histórica. Unir essas redações em uma única empresa significa que as prioridades comerciais ou políticas de um conselho de administração determinarão o que milhões de pessoas veem e o que jamais saberão que existiu."

Os atores ainda afirmaram que suas preocupações também envolvem o perfil da futura liderança da empresa. "E sabemos algo sobre as intenções desse proprietário em particular. O diretor executivo da Paramount teria dito a Donald Trump que faria 'mudanças radicais' na CNN se o acordo fosse concretizado", concluem.

Fusão enfrenta pressão em diferentes países

A Paramount aceitou adiar a conclusão do negócio até que a Justiça analise o caso. Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia aprovou a operação com condições, enquanto o governo britânico ainda avalia se abrirá uma investigação mais ampla.

Apesar da pressão política e jurídica, a Paramount mantém confiança na aprovação do negócio. A empresa afirma já ter recebido aval ou ausência de objeções de autoridades regulatórias em 65 jurisdições ao redor do mundo e sustenta que a união entre os grupos respeita as regras de concorrência.

Acompanhe tudo sobre:Atores e atrizesHollywoodCelebridadesParamountWarner

Mais de Pop

Ronnie Wood, guitarrista do Rolling Stones, vem ao Brasil para show solo

Quem é a cantora que superou Whitney Houston e igualou recorde de Harry Styles

Ariana Grande processa hackers por roubo de músicas, fotos e vídeos inéditos

Tudo que sabemos sobre a pré-venda do Lollapalooza Brasil