Hayden Panettiere: Morte da atriz aos 36 anos levou antigas estrelas mirins a discutirem as consequências de crescer sob exposição e pressão profissional (ANGELA WEISS / AFP)
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Publicado em 24 de agosto de 2026 às 19h04.
A morte de Hayden Panettiere, aos 36 anos, no último dia 16, colocou novamente sob os holofotes uma questão que acompanha Hollywood há décadas: o que acontece com crianças que crescem diante das câmeras? Atrizes que viveram essa experiência na própria pele agora cobram uma discussão mais ampla sobre proteção, exposição e os efeitos da fama precoce.
Panettiere ficou conhecida por trabalhos como "Heroes" e "Nashville", além de ter participado da franquia "Pânico". A atriz morreu no último dia 16 de agosto após ser encontrada inconsciente em uma residência na Carolina do Sul.
Anna Paquin, que começou a carreira ainda criança e ganhou o Oscar aos 11 anos por "O Piano", se manifestou após a morte de Panettiere.
Em reportagem do The Hollywood Reporter, a atriz questionou a forma como Hollywood protege jovens que entram cedo no mercado. Paquin também chamou atenção para casos de antigas estrelas mirins que enfrentaram dificuldades na vida adulta.
Em sua manifestação, ela mencionou especialmente mulheres que foram sexualizadas precocemente durante suas carreiras. Para Paquin, a indústria precisa olhar para as consequências desse tipo de exposição.
Melissa Gilbert, conhecida por interpretar Laura Ingalls em "Os Pioneiros", começou a trabalhar profissionalmente aos 9 anos.
Após a morte de Panettiere, a atriz publicou um texto em seu perfil no Substack sobre a situação das antigas estrelas mirins. Ela destacou a proximidade entre as histórias de Panettiere, Michelle Trachtenberg e Daveigh Chase, que também morreram antes dos 40 anos.
"Somos todas membros da mesma tribo: ex-atrizes mirins, e quando uma de nós morre, isso nos afeta a todas como uma corrente elétrica. Quando três de nós morremos tão próximos um do outro, algo está muito, muito errado", escreveu Gilbert.
"Parece que ninguém se importa o suficiente para promover uma mudança real. Pelo menos, não até a próxima morte, quando todos começam a falar sobre como estão tristes e como precisamos fazer algo, e então esquecem e seguem com suas vidas até que isso aconteça de novo, de novo e de novo."
Gilbert defendeu uma discussão mais ampla dentro da indústria sobre as condições oferecidas às crianças que trabalham em Hollywood.
"O atendimento em saúde mental está disponível para funcionários de empresas, do setor de tecnologia, do setor público e do governo, mas para artistas, só está disponível se eles se qualificarem para o seguro saúde com base em seus rendimentos. Precisamos trabalhar com os estúdios e emissoras para estabelecer um serviço de apoio à saúde mental gratuito e acessível a todos os atores mirins durante a transição para a vida adulta. Isso só será possível com a cooperação de toda a indústria", finalizou a atriz.
Meses antes de morrer, Hayden Panettiere lançou o livro "Essa Sou Eu: Um Acerto de Contas", publicado em maio de 2026. Na obra, a atriz revisitou a própria trajetória desde a infância e relatou como crescer diante das câmeras afetou sua relação com a fama, a carreira e a vida pessoal.
Em entrevista à revista People, em 2022, Panettiere contou que, aos 15 anos, alguém de sua equipe começou a lhe oferecer "pílulas da felicidade" antes de aparições no tapete vermelho. Segundo a atriz, as substâncias eram usadas para deixá-la mais animada durante as entrevistas. Na época, ela afirmou que não entendia os riscos daquele comportamento nem as consequências que ele poderia trazer para sua vida. Com o passar dos anos, o consumo de drogas e álcool se intensificou e acabou se tornando uma dependência.
A luta contra as drogas, o álcool e a depressão levou Panettiere a passar oito meses internada em uma clínica de reabilitação em 2020. Durante o período, ela escreveu sobre os efeitos da abstinência e os impactos que o processo teve sobre seu corpo e sua saúde mental.
“Enquanto meu sistema nervoso tentava se regular sem os efeitos depressores do álcool, ele entrou em hiperatividade, meu corpo inteiro tremia, eu não conseguia dormir e minha cabeça latejava como se estivesse pressionando meu crânio… Um médico me disse que, se eu não parasse de beber, eu morreria em cinco anos”, ela relembrou em seu livro.
Um dos relatos mais perturbadores envolveu um episódio ocorrido quando ela tinha 18 anos. Segundo a atriz, uma amiga da indústria a colocou em uma cama de barco ao lado de um homem muito famoso que estava nu. Panettiere contou que percebeu a situação e fugiu do local.
Outro episódio relatado por Panettiere em seu livro é um caso envolvendo um "importante executivo da NBC", que a beijou durante uma festa em 2008, quando ela estrelava o sucesso "Heroes".
Em outra ocasião, durante uma festa com diversas celebridades em um apartamento, um "ator e diretor vencedor do Oscar" teria encurralado a atriz, então com 19 anos, quando ela se preparava para deixar o local. Segundo o relato, ele disse que havia um chiclete grudado em sua calça para fazê-la olhar para seus órgãos genitais expostos.