Ex-governdor de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) (André Martins/Exame)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 18h32.
A ausência de Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência, no debate presidencial organizado pela TV Bandeirantes no último domingo, 23, reacendeu discussões entre seus aliados sobre uma possível desistência do ex-governador de Minas Gerais da disputa. Lideranças do partido já defendem, reservadamente, a retirada da candidatura, mas o candidato e a presidência do Novo devem mantê-la, pelo menos por enquanto.
Internamente, a decisão de Zema de faltar ao primeiro debate presidencial foi vista por expoentes do Novo como um erro grave de estratégia, principalmente ao se considerar que o evento não teve audiência baixa, como apostava o entorno do ex-governador de Minas Gerais.
Apenas os vídeos da íntegra do debate, por exemplo, superam 4,5 milhões de visualizações apenas no Youtube menos de 24 horas depois do evento.
Críticos da ausência de Zema dentro do próprio Novo argumentam que o candidato ainda tem um desempenho eleitoral pequeno e é desconhecido — e que poderia ter explorado o evento para criticar a ausência de Lula, a exemplo do que fez o presidenciável do Missão, Renan Santos, cujas falas agressivas em relação ao presidente viralizaram nas redes sociais.
Zema desistiu de participar do evento no próprio domingo ao saber que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravaria uma entrevista no mesmo dia para a TV Record, especialmente porque houve uma mudança de data do debate, de 16 para 23 de agosto, para contornar um conflito de agendas de Lula.
Oficialmente, a campanha de Zema justificou a decisão afirmando que a mudança de data "perdeu seu propósito" de "garantir a pluralidade", leia-se, de garantir a presença do presidente ao encontro.
Internamente, pessoas familiarizadas com o tema no Novo dizem que a decisão de Zema teria tido o respaldo da equipe de marqueteiros do candidato, liderada por Renato Pereira, o que irritou uma ala do partido, que vê repercussão da decisão nas perspectivas de desempenho eleitoral dos candidatos da sigla em eleições proporcionais Brasil afora.
Um dos principais trunfos em prol da candidatura do ex-governador de Minas Gerais à Presidência dentro do Novo foi justamente ajudar a sigla a eleger uma bancada de deputados que lhe permitisse ultrapassar os critérios da cláusula de desempenho estipulados pela legislação eleitoral. Hoje, a legenda tem cinco deputados federais e um senador.
Pelas regras atuais, os partidos precisam eleger ao menos 11 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove unidades da Federação, ou ter no mínimo 2% dos votos válidos nas eleições para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove estados, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada um deles. Essa votação dá acesso ao fundo partidário e ao tempo de televisão obrigatório nos períodos eleitorais.
À EXAME, parlamentares e lideranças do Novo ouvidos sob reserva avaliam, porém, que o ritmo da campanha do ex-governador mineiro está apagado e que ele precisa aproveitar todas as oportunidades de exposição midiática que tiver disponíveis, uma vez que a candidatura não terá tempo de TV e de rádio.
Um parlamentar afirma que já defendeu internamente que Zema desista da candidatura, mas o candidato e a presidência do partido mantêm a posição de levá-la adiante.
Por outro lado, aliados do governador afirmam que não faria sentido uma desistência a esta altura e lembram que Zema poderia ter sido eleito ao Senado por Minas Gerais com relativa facilidade se o partido tivesse decidido não lançar candidatos à Presidência.
O senador Eduardo Girão, vice na chapa de Zema, diz que não há risco de desistência e que rumores sobre isso "são a maior fake news" que já ouviu na vida.
Oficialmente, o Novo afirma que a candidatura de Zema está mantida e que a decisão de faltar ao debate da Bandeirantes foi pontual. A presença do candidato em outros debates ainda está sendo discutida internamente, visto que a tendência é de que Lula e Flávio Bolsonaro não compareçam a outros confrontos.
Na noite desta segunda-feira, 24, Zema participa da sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo. O candidato já sinalizou que deverá fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal e às suspeitas que pairam sobre Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva investigado pela Polícia Federal por supostamente ter cometido tráfico de influência.