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Agentes de IA estão sendo treinados para ataques — e empresa bilionária reage

Avaliada em US$ 134 bilhões, a americana Databricks acaba de anunciar a entrada no setor de segurança cibernética

Ali Ghodsi, cofundador e CEO da Databricks: “Os defensores precisam ter ainda mais visibilidade e velocidade do que os agentes atacantes de hoje” (Bloomberg/Getty Images)

Ali Ghodsi, cofundador e CEO da Databricks: “Os defensores precisam ter ainda mais visibilidade e velocidade do que os agentes atacantes de hoje” (Bloomberg/Getty Images)

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 25 de março de 2026 às 14h21.

Última atualização em 26 de março de 2026 às 13h27.

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A americana Databricks, empresa de dados e inteligência artificial, decidiu avançar sobre um novo território: segurança cibernética — um mercado dominado por fornecedores tradicionais e cada vez mais pressionado pela IA.

Recentemente avaliada em US$ 134 bilhões, a companhia anunciou a entrada no segmento com o produto Lakewatch.

Conhecido como SIEM (Security Information and Event Management), o sistema coloca a Databricks em uma disputa direta com fornecedores já estabelecidos, como IBM QRadar, Microsoft Sentinel e CrowdStrike.

Um dos motivos para a entrada no setor? Agentes de IA.

Segundo a Databricks, ataques digitais passaram a ganhar escala e velocidade com a ascensão de sistemas automatizados, enquanto muitos times de segurança ainda operam com processos manuais. São ataques automatizados de um lado e respostas humanas do outro.

Com o novo produto, a proposta é unificar dados de segurança, TI e operação dentro de uma mesma arquitetura — alinhada ao conceito de lakehouse, que combina dados estruturados e não estruturados — para automatizar a detecção e resposta a incidentes.

“As equipes de segurança não podem mais depender de fluxos de trabalho manuais para superar ataques impulsionados por IA”, disse Ali Ghodsi, cofundador e CEO da Databricks. “Os defensores precisam ter ainda mais visibilidade e velocidade do que os agentes atacantes de hoje.”

Parcerias para crescer

A Databricks também tem ampliado a rede de parcerias para tentar destravar a adoção de IA nas empresas.

O movimento mais recente é a criação do Accenture Databricks Business Group, com mais de 25 mil profissionais treinados na plataforma, voltado a levar aplicações de IA do piloto para a produção.

A empresa também vem aprofundando a colaboração com a Anthropic, cujos modelos são usados em ferramentas como o próprio Lakewatch, especialmente em tarefas de correlação de dados e identificação de ameaças.

Além disso, a Databricks articula um ecossistema mais amplo de parceiros em segurança e dados — incluindo empresas como Okta, Palo Alto Networks e Zscaler — em uma tentativa de tornar sua plataforma compatível com ferramentas já utilizadas pelas companhias.

O que é a Databricks?

Fundada em 2013 por pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, a Databricks nasceu como um spin-off do laboratório AMPLab e se tornou referência no processamento de dados em larga escala.

A empresa cresceu rapidamente ao desenvolver o conceito de lakehouse, que combina as vantagens de um banco de dados tradicional (data warehouse) com a flexibilidade do armazenamento de dados não estruturados (data lake).

Nos últimos anos, porém, a empresa passou a expandir seu escopo, incorporando ferramentas de IA, automação e, agora, segurança. Hoje, opera em uma camada intermediária: a infraestrutura que conecta dados à aplicação de IA.

O Brasil já é um dos dez mercados mais estratégicos para a Databricks no mundo. A empresa conta com cerca de 200 funcionários por aqui e atende clientes como Santander, Nubank, Bradesco e Casas Bahia.

Em 2025, a Databricks atingiu US$ 5,4 bilhões em receita anualizada, com crescimento acima de 65%, além de retenção líquida superior a 140%. Na base de clientes, mais de 800 empresas já geram acima de US$ 1 milhão por ano, enquanto mais de 70 ultrapassam US$ 10 milhões.

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