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No Cannes Lions 2026, pulseiras viram símbolo de status, networking e acesso exclusivo

Acessórios identificam quem circula por eventos paralelos e refletem uma nova dinâmica do festival caracterizada pela exclusividade

Pulseiras: acessos exclusivos se tornaram símbolo de status no Cannes Lions (Soraia Alves)

Pulseiras: acessos exclusivos se tornaram símbolo de status no Cannes Lions (Soraia Alves)

Soraia Alves
Soraia Alves

Repórter de Marketing

Publicado em 26 de junho de 2026 às 05h51.

Última atualização em 26 de junho de 2026 às 06h00.

CANNES — Caminhando pela La Croisette, a principal avenida de Cannes, é fácil identificar quem está na cidade a turismo ou para participar do Cannes Lions: basta olhar para os pulsos. Se estiverem livres, turistas. Se estiverem cobertos por pulseiras de diferentes cores, participantes do festival de criatividade.

Essa “ostentação” funciona como uma espécie de filtro social. As pulseiras representam acesso a eventos paralelos, que vão desde ativações de marcas até festas exclusivas em iates. Há encontros privados com executivos, almoços e jantares de relacionamento e muitos happy hours em beach clubs.

Para Franklin Costa, cofundador da oclb, consultoria especializada em curadoria e design de experiências, as pulseiras sempre foram, e continuarão sendo, uma forma de distinção em eventos como o Cannes Lions.

“Elas determinam quem você é e ao que tem acesso. Em Cannes, as pulseiras também funcionam como capital simbólico. Quando você vê alguém com o antebraço cheio de pulseiras, surgem perguntas como ‘Quem é essa pessoa?’, ‘O que ela faz para ter tantas pulseiras?’. É uma forma de as pessoas afirmarem o seu status sem precisar abrir a boca”, analisa.

O festival que saiu do Palais

Por décadas, tudo o que envolvia o Cannes Lions acontecia de forma concentrada dentro do Palais des Festivals. Hoje, embora as principais palestras e premiações ainda aconteçam no prédio, essa centralidade não existe mais.

Os arredores do Palais foram tomados por estandes de empresas e marcas que querem aproveitar o festival para conectar-se diretamente com esse público, que também está interessado em conexão.

Por isso, além de status, as pulseiras indicam o quanto o público está circulando pela cidade.

“O setor de eventos foi um dos mais afetados pela pandemia. E agora conseguimos observar com mais clareza as consequências dessa crise, que basicamente se traduzem em novos comportamentos do público. Durante a pandemia, tivemos uma saturação de conteúdos digitais. Como resultado, vivemos uma supervalorização das conexões pessoais e das experiências presenciais”, analisa Costa.

Microeventos e exclusividade

Em 2026, praticamente cada grande empresa presente em Cannes criou um hub próprio — Adobe, Amazon, Canva, Google, LinkedIn, Meta, Microsoft, Pinterest, Salesforce, Snapchat, Spotify, TikTok e YouTube são alguns exemplos.

Nesses hubs, inclusive, a agenda exclusiva de conteúdos disputa espaço com a programação oficial do festival. Assim, a sensação é que os participantes vivem diferentes festivais, mas sob a chancela do Cannes Lions.

Essa dinâmica lembra a de outros eventos, como o SXSW, onde parte significativa da experiência acontece fora dos palcos principais. A diferença é que, em Cannes, a exclusividade se tornou um componente central da experiência.

Entram em cena convites pessoais, listas VIP, inscrições antecipadas e pulseiras específicas distribuídas por empresas e patrocinadores. Existem os eventos que todos podem acessar e aqueles que dependem de conexões, relacionamento ou da sorte de receber um convite.

Mas, se por um lado, essa fragmentação torna difícil identificar onde estão acontecendo as discussões mais relevantes da semana, para Franklin Costa, o Cannes Lions junta duas estratégias: hub-and-spoke, que permite às marcas gerar engajamento em meio ao grande público, e a exclusividade.

“A programação oficial de um festival como Cannes ainda tem muito valor. Mas esses conteúdos ficam disponíveis em cortes nas redes sociais, reports, etc. As pessoas já entenderam isso. Então, quando estão em um evento, elas querem um tipo de experiência que o online não entrega. E ativações de marcas, networking e happy hours entregam isso. Quanto mais exclusiva, única e rara, melhor a experiência”, finaliza.

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