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Mercados

Loovi compra participação de Pablo Marçal, que fala em 'excelente upside'

Em 2023, o influenciador investiu R$ 45 milhões na insurtech; companhia diz que recompra "integra o movimento de fortalecimento institucional" e "alinhamento às melhores práticas regulatórias de compliance do setor de seguros"

Insurtech já vinha tentando se devincular do influenciador  (Redes Sociais/Divulgação)
Insurtech já vinha tentando se devincular do influenciador (Redes Sociais/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 14 de julho de 2026 às 07:00.

Última atualização em 17 de julho de 2026 às 17:17.

Criada em 2019 como uma empresa de seguros automotivos para as classes C, D e E, a Loovi Seguros, por meio de sua holding, recomprou a participação do influenciador Pablo Marçal na companhia. Em 2023, Marçal aportou R$ 45 milhões por uma fatia da insurtech, que distribui seguros automotivos.

Marçal não pensava em deixar o negócio, mas o acerto não demorou a acontecer. A operação foi negociada e estruturada ao longo dos últimos três meses. A decisão pelo distrato foi de Quézide Cunha, principal sócio da Loovi, que pagou prêmio substancial ao influenciador para encerrar a parceria.

“Sou um investidor serial e minha tese de investimento consiste em três pilares: bons fundadores, escala e liquidez com excelente upside no equity para futura saída. A oferta de recompra da Loovi cumpriu tudo isso, inclusive meu objetivo de saída. Agora sigo focado no meu propósito que é contribuir para o Brasil”, afirma Marçal.

Oficialmente, a companhia diz que a recompra "integra o movimento de fortalecimento institucional" e "alinhamento às melhores práticas regulatórias de compliance do setor de seguros".

"Marçal cumpriu um ciclo relevante como investidor da Loovi e chegamos em uma justa negociação, boa para ambas as partes. Seguimos agora em uma fase de maior maturidade institucional, mais neutra e independente, muito focada em governança e compliance, para abrirmos o capital no futuro", diz Cunha.

Acelerando

A verdade é que ter um personagem como Marçal no board sempre foi pesado para a Loovi, que já vinha tentando se desvincular do empresário. Com aspirações políticas -- e intensa participação nas redes --, Marçal nunca esteve presente no dia a dia da operação. Após a chegada de Marçal, a companhia acelerou investimentos em marketing, ao contratar Neymar, Celso Portiolli, Whindersson Nunes e Renato Cariani como garotos-propaganda.

Apesar do relevante investimento na própria imagem, a Loovi derrapou em março ddo ano passado. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) chegou a suspender os serviços prestados pela companhia. Isso porque a Loovi, enquanto holding, se apresentava como seguradora de veículos, mas era uma de suas empresas, a LTI Seguros, que de fato tinha a licença para operar como tal. Em abril, a autarquia liberou a operação, em caráter ainda temporário, após a adoção de medidas de regularização. Em maio, veio a autorização definitiva.

Agora, recém habilitada e sem Marçal junto ao banco do passageiro, a Loovi vai acelerar num mercado que movimentou mais de R$ 20 bilhões em prêmios nos quatro primeiros meses de 2026, crescimento nominal de 6,5% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo a Susep.

Vendedor de Bíblias

Empreendedor mineiro com mais de 20 anos de experiência no mercado B2C, Quézide Cunha, o homem ao volante da Loovi, foi sócio da maior distribuidora independente de Bíblias da América Latina, a Ômega Distribuidora, e decidiu mudar de rumo após um ano sabático de imersão tecnológica.

Passou um ano na China estudando modelos de negócio para "tropicalizar" a operação ao mercado brasileiro, e hoje lidera uma companhia que já atende mais de 4 mil municípios.

A operação contou com a assessoria jurídica do escritório Panucci, Severo e Nebias Advogados, nas frentes societária e regulatória, e do Chenut Advogados, nas frentes tributária e contratual.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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