"O gol da Rua Javari": lance aconteceu durante uma partida entre Santos e Juventus, em agosto de 1959 (Raphael Dias Herrera )
Repórter de Marketing
Publicado em 23 de junho de 2026 às 09h30.
Última atualização em 23 de junho de 2026 às 09h57.
CANNES - O gol que Pelé considerava o mais bonito de sua carreira nunca foi registrado pelas câmeras. Conhecido como "o gol da Rua Javari", o lance aconteceu durante uma partida entre Santos e Juventus, em agosto de 1959, no estádio do clube da Mooca, que fica na Rua Javari, em São Paulo. Mas, além das pessoas que estavam no local, ninguém viu o lance completo, já que não houve transmissão ou gravação na época.
A única imagem do lance foi capturada pelo fotógrafo Raphael Dias Herrera. Pelé tinha 18 anos na época, e a partida acabou com uma vitória de 4x0 para o Santos.
Mais de seis décadas depois, o Google decidiu recriar a jogada usando inteligência artificial. A reconstrução foi apresentada pela big tech durante o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions 2026 e passará a integrar o acervo do Museu Pelé.
Segundo a emprea, para criar a cena, equipes do Google DeepMind usaram alguns modelos de IA, incluindo Gemini Omni, Veo 3 e Nano Banana.
"Internamente, o processo criativo funcionou quase como um efeito 'Mágico de Oz': combinamos ferramentas de IA, efeitos visuais e técnicas de cinema para estender a narrativa e produzir algo que parecesse completamente novo, mantendo a conexão do filme do início ao fim", explica KK Walker, diretora executiva de criação do Google.
No entanto, para garantir um resultado crível, o Projeto Pelé envolveu muito trabalho humano: historiadores, jornalistas esportivos, ex-jogadores, familiares de Pelé e representantes da Pelé Brand, responsável pela administração do legado do atleta.
De acordo com o Google, foram reunidos inúmeros fragmentos históricos, a fim de reconstruir visualmente o lance exatamente como relatado por testemunhas e pela imprensa esportiva.
Essa não é a primeira vez que "o gol mais bonito de Pelé" é recriado. Em 2004, o documentário Pelé Eterno também utilizou tecnologia e computação gráfica para gerar imagens do lance. Mas, é claro, o resultado de agora conta com uma tecnologia muito mais avanaçada.
Para gerar a base a ser utilizada pelas IAs, foram necessárias gravações, realizadas no próprio estádio da Rua Javari, utilizando uniformes semelhantes aos da época e uma bola inspirada nos modelos do fim da década de 1950.
Projeto Pelé, do Google: além de IA, produção da peça incluiu gravações no estádio da Juventus (Divulgação)
"Quando olhamos especificamente para o Projeto Pelé, entendemos que o grande desafio não era a tecnologia em si, mas sim a profundidade da pesquisa. A nossa obsessão foi garantir a autenticidade do contexto para que o público não sentisse que era uma construção artificial", explica Walker. "Precisávamos ter certeza de que o posicionamento dos elementos em cena, os padrões da época e até a iluminação estivessem milimetricamente corretos."
A executiva acrescenta que a experiência também serviu para colocar os recursos de IA do Google à prova.
"Trabalhar globalmente no desenvolvimento deste projeto nos deu a oportunidade de colocar as ferramentas de IA do Google e do Gemini sob a perspectiva real do mercado e da experiência do usuário. O grande objetivo, desde o início, foi inspirar as pessoas mostrando o máximo de possibilidades práticas e como essas tecnologias se aplicam ao dia a dia", destaca.
O Google afirma que o filme integrará o acervo do Museu Pelé já a partir deste ano. Para a companhia, a iniciativa está alinhada à estratégia de preservação e organização de informações históricas.
"O que fizemos com o uso de IA está totalmente alinhado com a nossa missão central: organizar a informação do mundo, preservar a memória histórica e distribuí-la da melhor forma possível para o público", diz Walker.
O lançamento oficial do filme acontece em julho.