VAR: Árbitro de vídeo é um dos protagonistas da Copa do Mundo (Sergei Karpukhin/Reuters)
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Publicado em 14 de julho de 2026 às 07h13.
A Copa do Mundo de 2026 ampliou o número de seleções participantes, levou partidas a três países e apresentou novas tecnologias de arbitragem. Mas, se existe um tema que conseguiu unir torcedores de diferentes nacionalidades durante o torneio, foi a insatisfação com o árbitro de vídeo (VAR).
Ao longo da competição, decisões revisadas pela tecnologia geraram reclamações de jogadores, treinadores e torcedores. Gols anulados, expulsões e longas paralisações transformaram o VAR em um dos principais assuntos fora das quatro linhas, reacendendo o debate sobre os impactos da ferramenta no futebol.
Enquanto praticamente todas as principais ligas europeias adotaram o VAR, a Suécia continua sendo uma exceção. Entre os 30 principais campeonatos nacionais do continente, a Allsvenskan é a única que ainda não utiliza a tecnologia.
A decisão foi tomada durante a pandemia, quando a proposta de implantação acabou rejeitada após forte mobilização dos torcedores. Como os clubes suecos são controlados majoritariamente por seus associados, a resistência das arquibancadas impediu que a medida fosse aprovada, segundo o Wall Street Journal.
Para boa parte dos fãs, preservar a emoção imediata de um gol vale mais do que eliminar todos os possíveis erros de arbitragem.
A ausência do VAR não significa que as partidas transcorram sem equívocos. Segundo a liga sueca, nos dez primeiros jogos da atual temporada foram identificados cinco lances em que um gol foi validado ou anulado de forma incorreta.
Ainda assim, dirigentes afirmam que esse preço é considerado aceitável pelos torcedores, que preferem conviver com erros humanos a enfrentar revisões longas e interrupções constantes durante as partidas.
No Mundial de 2026, a Fifa foi além do VAR tradicional. A competição também utiliza impedimento semiautomático e sensores instalados na bola para detectar toques quase imperceptíveis, oferecendo aos árbitros um número ainda maior de informações para revisar cada lance.
O aumento da presença tecnológica, porém, também fez crescer o número de intervenções. Em comparação com a Copa de 2022, mais gols foram anulados na reta final das partidas, incluindo decisões tomadas já nos acréscimos, segundo o WSJ.
Entre os episódios mais contestados da Copa está a expulsão do suíço Breel Embolo nas quartas de final contra a Argentina. Inicialmente, o atacante havia sofrido uma falta, mas a revisão do VAR concluiu que houve simulação. O jogador recebeu o segundo cartão amarelo e deixou o campo.
Outros lances também alimentaram as discussões ao longo do torneio. Egípcios contestaram a anulação de um gol diante da Argentina; a Noruega questionou um lance envolvendo uma câmera suspensa por cabos, enquanto a Croácia reclamou da invalidação de um gol por um impedimento detectado após um leve desvio na bola.
Até Kylian Mbappé demonstrou incômodo com o tempo gasto em uma revisão para a marcação de um pênalti, que levou mais de três minutos para ser confirmada.
Apesar das críticas, a Fifa mantém a confiança na tecnologia e considera que o VAR seguirá fazendo parte das próximas edições da Copa do Mundo. Enquanto isso, a Suécia permanece como um dos poucos refúgios do futebol europeu, onde os gols ainda são comemorados sem a expectativa de uma revisão na cabine.