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Ouro cai 2% e perde força com alta de juros no radar

Metal recua com mercado precificando aperto monetário, acompanhando a guerra no Irã e o impacto da alta do petróleo na inflação global

Ouro: queda de preço do metal ocorre mesmo com tensões geopolítica. (evgeniibashta/Freepik)

Ouro: queda de preço do metal ocorre mesmo com tensões geopolítica. (evgeniibashta/Freepik)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 26 de março de 2026 às 08h43.

O preço do ouro caiu 2% nesta quinta-feira, 26, pressionado pela expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos e pela incerteza em torno de um possível cessar-fogo no Oriente Médio.

O ouro à vista estava em queda de 1,4%, cotado a US$ 4.441,20 por onça, enquanto os contratos futuros para abril registravam queda de 2,5%, a US$ 4.438,50.

O movimento ocorre após duas sessões consecutivas de alta, indicando uma mudança de direção no curto prazo diante de novas sinalizações macroeconômicas e geopolíticas, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Neste cenário, fica evidente a alteração no comportamento dos investidores, que reduzem a demanda pelo metal como proteção.

O chefe de macro global da Tastylive, Ilya Spivak afirmou que o mercado começa a precificar um cenário em que a guerra no Irã alimenta a inflação e leva a uma reação dos bancos centrais.

"Você está vendo uma aceleração da ideia de que esta guerra significará inflação, e a inflação significará uma resposta dos bancos centrais, o que significará taxas de juros mais altas", disse à agência.

Os juros altos costumam reduzir a atratividade do ouro porque o metal não oferece rendimento. Investidores podem migrar, assim, para ativos que pagam juros, como títulos públicos.

Dados do CME Group indicam que o mercado já vê 37% de chance de alta de juros nos EUA até dezembro, enquanto praticamente descartou cortes neste ano.

Caso haja uma postura mais restritiva do banco central dos EUA, Federal Reserve, isso sustentaria "o dólar americano e os rendimentos dos títulos, pressionando o metal precioso", conforme o analista da ActivTrades, Ricardo Evangelista.

Petróleo e inflação no radar

A alta do petróleo também contribui para esse cenário. Isso porque os contratos do tipo Brent voltaram a superar US$ 100 por barril diante da limitação do fornecimento energético, o que pode pressionar a inflação.

Esse movimento cria um efeito ambíguo sobre o ouro, pois, embora o metal seja tradicionalmente visto como proteção contra a inflação, juros mais elevados acabam limitando sua valorização.

Analista sênior de mercados financeiros da Capital.com, Kyle Rodda disse que, no curto prazo, os preços do ouro devem reagir ao fluxo de notícias sobre o conflito.

"Nas próximas 24 a 48 horas, (os preços do ouro) serão apenas uma reação às notícias sobre negociações."Kyle Rodda, analista sênior de mercados financeiros da Capital.com

"As mudanças realmente significativas provavelmente ocorrerão no início da próxima semana, quando ficar mais claro se os EUA lançarão uma invasão terrestre no Irã durante o fim de semana", acrescentou.

O que isso significa para o investidor

O recuo recente do ouro reflete um ambiente de maior complexidade para investidores, necessitando de uma avaliação cuidadosa, na avaliação dos especialistas ouvidos pela Reuters.

Eles indicam que o metal continua sensível tanto à política monetária dos EUA quanto à evolução de tensões geopolíticas, dois fatores que frequentemente caminham em direções opostas.

Para o investidor, o cenário indica que o ouro pode apresentar oscilações relevantes no curto prazo, dependendo de novos dados econômicos e desdobramentos no Oriente Médio.

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