Crise no Oriente Médio: manifestante durante os protestos de Janeiro (Piero Cruciatti/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 4 de março de 2026 às 06h00.
Última atualização em 4 de março de 2026 às 13h36.
A escalada do conflito no Oriente Médio causou instabilidades imediatas nos mercados globais e agravou a situação da economia iraniana.
Na manhã do último sábado, 28, Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Os bombardeios coordenados mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país por quase quatro décadas, mergulhando o Irã em instabilidade e desencadeando um conflito que pode envolver grande parte do Oriente Médio.
O cenário econômico do país já era alvo do descontentamento da população. Em dezembro de 2025, a inflação estava em 42,2%.
Em janeiro deste ano, uma onda de protestos contra a desvalorização do Rial Iraniano, a inflação, as quedas no fornecimento de energia e o baixo poder de compra paralisaram a capital Teerã.
O governo iraniano reprimiu os protestos violentamente e cortou as comunicações. A organização Human Rights Activists estima que cerca de 7 mil pessoas tenham morrido.
Até 1979, o Irã era um estado monárquico, governado pelo xá Mohammad Reza Pahlavi, que contava com o apoio dos Estados Unidos. Naquele ano, a população descontente com o que considerava uma liderança autoritária promoveu a Revolução Islâmica, que transformou o país em uma teocracia. Os poderes executivo, jurídico e legislativo passaram a ser subordinados ao clero, na figura dos aiatolás.
As primeiras sanções econômicas foram aplicadas pelos EUA logo após a Revolução. Em 1979, Washington também interrompeu as importações de petróleo do Irã e congelou US$ 12 bilhões em ativos iranianos.
Em 1995, o presidente Bill Clinton impediu empresas americanas de investirem em petróleo e gás iranianos e de comercializarem com o país.
As sanções seguintes vieram em 2006, quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a União Europeia impuseram suas próprias restrições comerciais devido ao avanço do programa nuclear iraniano.
Em 2015, o Irã assinou o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) com os EUA, Reino Unido, China, França, Alemanha, Rússia e a União Europeia. Com o pacto, o país concordou em se abster de qualquer enriquecimento de urânio e de pesquisas relacionadas por 15 anos. Mas, em 2018, durante seu primeiro mandato como presidente, Trump retirou os EUA do tratado nuclear e restabeleceu todas as sanções.
Hoje, sob sanções dos EUA e de outros países, quase todas as receitas petrolíferas e ativos internacionais do Irã permanecem congelados.
Em junho de 2025, houve a Guerra dos 12 Dias, que agravou ainda mais a situação econômica do país.
Durante o conflito, ataques israelenses atingiram refinarias de petróleo, terminais de exportação e até instalações nucleares, enquanto a Guarda Revolucionária Iraniana, que controla o setor de energia, lançou centenas de mísseis contra alvos israelenses.
As exportações de petróleo do Irã caíram 94% durante a guerra, passando de cerca de 1,7 milhão de barris por dia para apenas 100 mil. Isso representou aproximadamente US$ 1,4 bilhão ao longo dos 12 dias.
De acordo com dados do Banco Central do Irã, o PIB cresceu, em média, apenas cerca de 1,9% ao ano de 1979 a 2020, em comparação com 9,1% ao ano entre 1960 e 1979, antes da revolução.
Já a inflação não parou de subir. Em dezembro de 2025, a taxa estava em 42,2%. Esse cenário de PIB congelado e inflação alta é conhecido como "estagflação", um dos fatores responsáveis pela queda no poder de compra da população.
No início de janeiro, enquanto protestos estavam em andamento, o rial caiu para 1,42 milhão por dólar, uma desvalorização de 56% em apenas seis meses.
Segundo o Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional (CPI) de 2023, o Irã obteve nota 23 de 100, ocupando a 151ª posição entre 180 países.
