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Se guerra no Irã se prolongar, dólar deve seguir forte, diz gestor da Genoa

Em março, o dólar acumulou alta de 0,87%, refletindo a maior aversão a risco diante das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, a primeira alta mensal em 2026

Comportamento do dólar: Mas, se ela se dissipar rápido, voltamos a discutir diversificação e revertemos esse movimento", disse André Raduan ( bushko/Freepik)

Comportamento do dólar: Mas, se ela se dissipar rápido, voltamos a discutir diversificação e revertemos esse movimento", disse André Raduan ( bushko/Freepik)

Publicado em 7 de abril de 2026 às 18h11.

A escalada das tensões envolvendo o Irã voltou a colocar o dólar no centro das atenções dos investidores globais, mas o rumo da moeda americana, segundo gestores, dependerá sobretudo da duração do conflito.

Durante a 12ª edição do Brazil Investment Forum, evento do Bradesco BBI realizado nesta terça-feira, 7, em São Paulo, o sócio da Genoa, André Raduan, destacou que o choque geopolítico tem potencial de alterar de forma relevante a dinâmica recente dos mercados.

Na avaliação do gestor, o primeiro impacto tende a ser de fortalecimento do dólar, em linha com o papel tradicional da moeda como ativo de proteção em momentos de incerteza. "No primeiro momento, é um movimento de dólar forte" afirmou, ao citar também a posição mais favorável dos Estados Unidos como exportador de petróleo em um cenário de conflito.

Raduan pondera, no entanto, que esse movimento não é necessariamente permanente. Segundo ele, a trajetória da moeda dependerá diretamente da duração da guerra. "Se a guerra for mais duradoura, acredito que ainda vamos viver um ambiente de dólar forte. Mas, se ela se dissipar rápido, voltamos a discutir diversificação e revertemos esse movimento", disse.

A leitura do gestor dialoga com o comportamento recente dos mercados. Em março, o dólar acumulou alta de 0,87%, refletindo a maior aversão a risco diante das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, a primeira alta mensal em 2026. No ano, porém, a moeda ainda registra queda de 5,65% frente ao real, sinalizando que a tendência de enfraquecimento global não foi completamente revertida.

Dólar continua a ser a moeda de proteção

Essa tendência estrutural foi detalhada por Rodrigo Azevedo, sócio da Ibiuna Investimentos, que contextualizou o papel central dos Estados Unidos no sistema financeiro global. Segundo ele, o dólar continua sendo a principal moeda de reserva e, por isso, tende a se valorizar em momentos de estresse, quando investidores buscam proteção.

Além disso, entre 2022 e 2025, a combinação de juros elevados nos Estados Unidos e crescimento econômico atraiu capital global, fortalecendo ainda mais a moeda americana. "Quando, além de você querer naturalmente o dólar, a taxa de juros é muito atrativa, você suga capital do mundo inteiro", afirmou.

Diversificação fora dos EUA pode ser permanente

A partir de 2025, porém, esse movimento começou a se inverter. De acordo com Azevedo, investidores passaram a avaliar que estavam excessivamente expostos aos Estados Unidos e iniciaram um processo de diversificação global, reduzindo posições no país.

Esse rearranjo foi reforçado pela expectativa de queda de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e pela percepção de que o desempenho relativo da economia americana pode ser menos dominante nos próximos anos.

O resultado foi um ambiente de dólar mais fraco e maior apetite por risco, com valorização de bolsas fora dos Estados Unidos e fluxo para outros mercados, incluindo o Brasil. Esse cenário, no entanto, foi interrompido recentemente pelo choque geopolítico.

Com a intensificação das tensões, houve uma rápida reversão de posições, ativos de risco perderam espaço, o dólar voltou a se fortalecer e o mercado passou a reprecificar juros globais diante do risco de pressão inflacionária, especialmente via petróleo.

Ainda assim, Azevedo avalia que, caso o choque seja temporário, a tendência anterior pode ser retomada. "Se a volatilidade diminuir e o cenário não se agravar, o movimento que a gente tinha antes tende a voltar", disse. Isso incluiria, novamente, um dólar mais fraco e a retomada da diversificação global de portfólios.

Clima de apreensão

As análises dos gestores, no entanto, foram limitadas à cautela diante da expectativa de uma sinalização pelo fim da guerra nesta terça. O prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã aceite um acordo vence às 21h desta terça.

Mais cedo, porém, Trump elevou o tom ao dizer que “uma civilização inteira” pode desaparecer, mencionando inclusive a possibilidade de mudança de regime.

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