Repórter
Publicado em 7 de abril de 2026 às 19h40.
Última atualização em 7 de abril de 2026 às 21h11.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concordou com a proposta do Paquistão em suspender os ataques contra o Irã por duas semanas. A decisão foi anunciada na noite desta terça-feira, 7, antes de expirar o prazo estabelecido pelo presidente americano para o regime de Teerã reabrir o estreito de Ormuz.
"Com base nas conversas com o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais me solicitaram que suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã esta noite, e desde que a República Islâmica do Irã concordasse com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO bilateral!", declarou Trump na publicação.
Segundo o presidente americano, a decisão foi tomada após os Estados Unidos concluírem que alcançaram seus objetivos com o conflito no Oriente Médio e que estão próximos de um acordo de paz com Teerã.
"A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um Acordo definitivo sobre a PAZ a longo prazo com o Irã e a PAZ no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação", justificou.
O republicano também ressaltou que, durante as negociações, os pontos de divergência entre os dois países para o acordo de cessar-fogo foram superados. Com a suspensão dos ataques, Trump espera acelerar a conclusão do tratado.
"Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o Acordo seja finalizado e consolidado. Em nome dos Estados Unidos da América, como Presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver este problema de longa data próximo de uma solução. Agradeço a sua atenção a este assunto!", finalizou.
Após a declaração de Trump, o Irã confirmou o acordo com os Estados Unidos e afirmou que permitirá a reabertura do Estreito de Ormuz por um período inicial de duas semanas.
Statement on behalf of the Supreme National Security Council of the Islamic Republic of Iran: pic.twitter.com/cEtBNCLnWT
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) April 7, 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu mais cedo uma ameaça ao Irã, afirmando que “toda civilização morrerá esta noite” caso o Estreito não fosse reaberto e não houvesse acordo até as 21h (horário de Brasília) desta terça-feira.
"Uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser recuperada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente vai", escreveu o republicano em publicação na Truth Social.
E acrescentou: "No entanto, agora que temos uma mudança completa e total de regime, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE?" .
Os atritos envolvem o controle de uma das principais rotas marítimas globais, responsável pelo transporte de 20% do petróleo mundial.
Estreito de Ormuz: rota de escoamento do petróleo é principal preocupação. (GettyImages)
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, havia solicitado nesta tarde aos Estados Unidos o adiamento em duas semanas do prazo imposto ao Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, em meio às negociações envolvendo o conflito com participação de EUA, Israel e Irã.
A proposta foi direcionada ao presidente Donald Trump, que estabeleceu como limite às 21h desta terça-feira, 7, para que Teerã restabelecesse a navegação na rota marítima estratégica.
O premiê paquistanês, cujo país atua como mediador no conflito, também pediu ao governo iraniano que reabra o Estreito de Ormuz pelo mesmo período de duas semanas, classificando a medida como um gesto de boa vontade. Ele defendeu ainda a implementação de um cessar-fogo temporário entre todas as partes envolvidas, com o objetivo de criar condições para o avanço das negociações diplomáticas.
Em seguida, o chefe de governo declarou à imprensa americana que os esforços por um acordo no Oriente Médio “estavam avançando de forma constante”.
A proposta paquistanesa foi levada ao conhecimento da Casa Branca e para análise de Trump, como foi informado pela secretária de imprensa Karoline Leavitt, em declaração ao site Axios.
Do lado iraniano, autoridades também receberam a sugestão de trégua. Fontes ouvidas pela agência Reuters afirmaram que o governo de Teerã está "analisando positivamente" a possibilidade de cessar-fogo por duas semanas.
A iniciativa do Paquistão ocorre no contexto de escalada nas tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fluxo global de petróleo. A proposta combina suspensão temporária das hostilidades com a retomada da navegação, pontos considerados centrais nas negociações em andamento.
Os preços do petróleo bruto dos EUA despencaram na noite de terça-feira após o presidente americano Donald Trump concordar em suspender os ataques ao Irã por duas semanas. O contrato do West Texas Intermediate (WTI) para entrega em maio caiu mais de 15%, para US$ 95,33 por barril, às 20h (horário do leste dos EUA).
Os impactos da decisão da Casa Branca foram sentidos também no mercado brasileiro. Os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) da Petrobras caíram 7% no after market e chegaram a US$ 20,71.