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Irã quer cobrar pedágio no Estreito de Ormuz no 27º dia de guerra

EUA afirmam que Irã busca acordo, mas Teerã nega negociações diretas

Estreito de Ormuz: proposta do Irã sobre passagem amplia impacto global do conflito. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

Estreito de Ormuz: proposta do Irã sobre passagem amplia impacto global do conflito. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

Publicado em 26 de março de 2026 às 05h58.

A guerra no Oriente Médio entrou no 27º dia com o Irã preparando um projeto de lei para cobrar pedágio de navios que navegam pelo Estreito de Ormuz, rota onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

A proposta do Parlamento iraniano foi confirmada por Mohamad Reza Rezaei Kochi, presidente da Comissão de Assuntos Civis, segundo a agência Tasnim. O objetivo, segundo Kochi, é formalizar a soberania do país sobre a passagem e criar uma nova fonte de receita com a cobrança de taxas pela “segurança” oferecida aos navios.

O estreito permanece parcialmente bloqueado desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram a ofensiva contra o Irã. Teerã permite a passagem apenas de países considerados aliados, enquanto mantém restrições a outros.

O bloqueio parcial da rota elevou os custos de combustíveis e influenciou diretamente a volatilidade dos mercados, o que afetou desde companhias aéreas até o setor agrícola em diversas regiões do mundo.

Ataques continuam em Israel e no Golfo

Enquanto a pressão econômica aumenta, os confrontos militares seguem intensos. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter lançado ataques com mísseis e drones contra mais de 70 alvos em Israel, incluindo Haifa, Dimona e Khadra.

Também foram atingidas bases militares em países do Golfo, como Jordânia, Bahrein e Kuwait. Segundo o Irã, os ataques miraram centros estratégicos e instalações militares em coordenação com o Hezbollah.

Israel confirmou ter detectado disparos vindos do território iraniano, mas informou que não houve vítimas nos episódios mais recentes. Países como Bahrein e Emirados Árabes Unidos também relataram a interceptação de drones.

EUA ampliam ofensiva e alegam danos à capacidade iraniana

O chefe do Comando Central dos Estados Unidos, Brad Cooper, afirmou que forças americanas já atacaram mais de 10 mil alvos no Irã desde o início da guerra.

Segundo ele, mais de dois terços das instalações iranianas voltadas à produção de mísseis, drones e equipamentos navais foram destruídas ou danificadas, reduzindo significativamente a capacidade militar do país.

Entretanto, autoridades americanas não detalharam o impacto atual dessas perdas nem a duração prevista do conflito.

Impasse nas negociações entre EUA e Irã

Segundo o Wall Street Journal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria afirmado que o Irã deseja chegar a um acordo, mas evita admitir publicamente por temer reações internas.

De acordo com o jornal, Trump diz que líderes iranianos estariam receosos de sofrer represálias tanto da população quanto de ações militares americanas.

Do outro lado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, negou qualquer negociação direta. Ele afirmou que a troca de mensagens por intermediários não pode ser considerada diálogo formal.

Teerã também teria rejeitado a proposta de 15 pontos apresentada por Washington para encerrar a guerra, considerada excessiva pelo governo iraniano. O país busca impor suas próprias condições, incluindo o reconhecimento de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz e compensações por danos causados à sua infraestrutura.

*Com AFP e EFE

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