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Por que o preço do ouro não disparou mesmo com a guerra no Irã?

Dólar forte, juros altos e vendas forçadas limitam avanço do metal

Ouro: investidores recorrem ao metal em cenários de risco global. (rawpixel.com/Freepik)

Ouro: investidores recorrem ao metal em cenários de risco global. (rawpixel.com/Freepik)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 12 de março de 2026 às 10h56.

Momentos de turbulência geopolítica costumam levar investidores a buscarem proteção, mas, apesar do conflito no Oriente Médio, o preço do ouro não contou com a reação típica de ativos considerados de refúgio.

Analistas apontam que fatores como a valorização do dólar, a alta dos rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos (EUA) e temores renovados de inflação têm limitado o avanço do metal precioso no curto prazo.

O preço do ouro futuro gira em torno de US$ 5.175 nesta quinta-feira, 12, enquanto o valor do spot (mercado à vista) está em US$ 5.166.

Dados compilados pela CNBC mostram que o ouro chegou a avançar de US$ 5.296 para US$ 5.423 por onça após os ataques de EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Só que uma forte realização de lucros levou o preço a cair mais de 6%, para cerca de US$ 5.085, em 3 de março.

Desde então, mesmo com a intensificação da guerra no Irã, o metal tem oscilado em uma faixa relativamente estreita, entre, aproximadamente, US$ 5.050 e US$ 5.200 por onça.

Dólar forte e juros elevados pesam

O diretor-executivo do Metals Daily, Ross Norman, pontuou à CNBC que isso pode ser explicado pela combinação de um eventual dólar forte e rendimentos elevados dos títulos do Tesouro americano (Treasuries, em inglês).

"Os movimentos de preço do ouro e da prata parecem sem brilho neste momento, mas talvez seja essa a sensação esperada após algumas oscilações épicas nos últimos meses."Ross Norman, diretor-executivo do Metals Daily

O aumento dos preços do petróleo também contribui para o cenário ao elevar os riscos de inflação prolongada. E, se a inflação for persistente, bancos centrais podem ser forçados a manter ou elevar os juros por mais tempo.

Em um ambiente de juros elevados, aplicações que oferecem rendimento, como títulos públicos, passam a competir com o ouro, que não paga juros ou dividendos.

Liquidez e vendas forçadas

Outro fator apontado por analistas é o comportamento dos investidores durante choques de mercado.

De acordo com o chefe de pesquisa da gestora Al Ramz, Amer Halawi, quando há risco de aperto de liquidez, investidores tendem a liquidar diversos ativos para levantar caixa, inclusive os de refúgio.

"Tudo acaba sendo vendido até que as pessoas entendam melhor a situação e voltem a focar nos ativos certos", detalhou à CNBC.

Ele acrescentou que, tradicionalmente, mesmo o ouro costuma sofrer quedas iniciais após choques, antes de recuperar força posteriormente.

Bancos mantêm projeções positivas

Apesar da volatilidade recente, grandes bancos internacionais seguem otimistas em relação ao metal no horizonte de médio prazo.

O JP Morgan projeta que a commodity poderá atingir US$ 6.300 por onça até o final de 2026. Já o Deutsche Bank mantém sua estimativa de que o metal encerre o ano próximo de US$ 6.000 por onça.

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