Infantino: presidente da Fifa está pressionado no cargo (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP)
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Publicado em 27 de agosto de 2026 às 19h36.
A Uefa prepara uma denúncia criminal contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, por causa do plano fracassado de vender uma participação nos direitos comerciais da entidade a investidores privados. A informação consta em documentos apresentados pela entidade europeia à Justiça dos Estados Unidos e obtidos pelo Financial Times.
Segundo a Uefa, a iniciativa de Infantino poderia representar um caso de má gestão criminosa. A entidade também busca documentos relacionados à proposta envolvendo Joshua Kushner, fundador da Thrive Capital, empresa que havia sido indicada como principal investidora do projeto.
A proposta de Infantino pretendia levantar US$ 4 bilhões com a venda de 20% dos direitos comerciais da Fifa. O negócio avaliaria a nova empresa criada para administrar esses ativos em cerca de US$ 20 bilhões.
A Uefa, porém, considera essa avaliação "absurdamente baixa" e questiona a forma como o projeto foi conduzido. A entidade europeia afirma que está preparando uma ação na Suíça contra Infantino e possivelmente outros dirigentes e consultores da Fifa.
O plano previa separar as atividades comerciais da Fifa de suas funções como órgão responsável por administrar e regulamentar o futebol mundial, segundo o FT.
A disputa acontece em meio à pressão da Uefa pela saída de Infantino da presidência da Fifa. Dirigentes europeus se reuniram nesta quinta-feira, em Monte Carlo, para discutir os próximos passos contra o dirigente.
A Uefa chegou a ameaçar boicotar competições organizadas pela Fifa após a divulgação do projeto, mas recuou da ideia de não participar da próxima Copa do Mundo Sub-20 feminina. Para a entidade, um boicote a uma competição de base não seria a melhor forma de pressionar Infantino.
O presidente da Fifa reconheceu que a proposta de investimento foi mal conduzida e prometeu revisar o projeto. Ele pretende disputar a reeleição em março.
A tentativa de venda também provocou uma divisão entre as principais confederações. A Uefa e entidades das Américas e do Caribe rejeitaram a iniciativa, enquanto a Confederação Africana de Futebol e federações da América do Sul e do Oriente Médio manifestaram apoio a Infantino.
A Federação Saudita de Futebol foi uma das últimas a defender o dirigente. O país, escolhido para receber a Copa do Mundo de 2034, afirmou que apoia os esforços de Infantino para recuperar a unidade do futebol mundial.
A Fifa depende fortemente da receita gerada pela Copa do Mundo masculina. Durante o Mundial de 2026, Infantino afirmou que a entidade deveria superar US$ 15 bilhões em receitas no ciclo de quatro anos encerrado neste ano.