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Uefa prepara denúncia criminal contra presidente da Fifa

Entidade europeia acusa Gianni Infantino de possível má gestão após tentativa de vender 20% dos direitos comerciais da Fifa a investidores privados

Infantino: presidente da Fifa está pressionado no cargo (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP)

Infantino: presidente da Fifa está pressionado no cargo (BRENDAN SMIALOWSKI/AFP)

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 27 de agosto de 2026 às 19h36.

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A Uefa prepara uma denúncia criminal contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, por causa do plano fracassado de vender uma participação nos direitos comerciais da entidade a investidores privados. A informação consta em documentos apresentados pela entidade europeia à Justiça dos Estados Unidos e obtidos pelo Financial Times.

Segundo a Uefa, a iniciativa de Infantino poderia representar um caso de má gestão criminosa. A entidade também busca documentos relacionados à proposta envolvendo Joshua Kushner, fundador da Thrive Capital, empresa que havia sido indicada como principal investidora do projeto.

Plano previa arrecadar US$ 4 bilhões

A proposta de Infantino pretendia levantar US$ 4 bilhões com a venda de 20% dos direitos comerciais da Fifa. O negócio avaliaria a nova empresa criada para administrar esses ativos em cerca de US$ 20 bilhões.

A Uefa, porém, considera essa avaliação "absurdamente baixa" e questiona a forma como o projeto foi conduzido. A entidade europeia afirma que está preparando uma ação na Suíça contra Infantino e possivelmente outros dirigentes e consultores da Fifa.

O plano previa separar as atividades comerciais da Fifa de suas funções como órgão responsável por administrar e regulamentar o futebol mundial, segundo o FT.

Conflito entre Uefa e Infantino aumenta

A disputa acontece em meio à pressão da Uefa pela saída de Infantino da presidência da Fifa. Dirigentes europeus se reuniram nesta quinta-feira, em Monte Carlo, para discutir os próximos passos contra o dirigente.

A Uefa chegou a ameaçar boicotar competições organizadas pela Fifa após a divulgação do projeto, mas recuou da ideia de não participar da próxima Copa do Mundo Sub-20 feminina. Para a entidade, um boicote a uma competição de base não seria a melhor forma de pressionar Infantino.

O presidente da Fifa reconheceu que a proposta de investimento foi mal conduzida e prometeu revisar o projeto. Ele pretende disputar a reeleição em março.

Proposta dividiu o futebol mundial

A tentativa de venda também provocou uma divisão entre as principais confederações. A Uefa e entidades das Américas e do Caribe rejeitaram a iniciativa, enquanto a Confederação Africana de Futebol e federações da América do Sul e do Oriente Médio manifestaram apoio a Infantino.

A Federação Saudita de Futebol foi uma das últimas a defender o dirigente. O país, escolhido para receber a Copa do Mundo de 2034, afirmou que apoia os esforços de Infantino para recuperar a unidade do futebol mundial.

A Fifa depende fortemente da receita gerada pela Copa do Mundo masculina. Durante o Mundial de 2026, Infantino afirmou que a entidade deveria superar US$ 15 bilhões em receitas no ciclo de quatro anos encerrado neste ano.

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