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Trump diz que nunca discutiu com Infantino proposta de participação na Copa

Presidente dos EUA negou ter conversado com o dirigente sobre projeto que prevê captar US$ 20 bilhões e enfrenta forte resistência de federações e dirigentes

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, participam da entrega de troféu na final da Copa do Mundo de 2026 (Christopher Neundorf/EFE)

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, participam da entrega de troféu na final da Copa do Mundo de 2026 (Christopher Neundorf/EFE)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 31 de julho de 2026 às 16h29.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou, nesta sexta-feira, 31, ter conversado com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, sobre a proposta de criar uma empresa para administrar as competições da entidade e vender participação em seus direitos comerciais.

"Nunca falei com ele sobre isso", disse Trump, ao ser questionado sobre o tema durante uma coletiva de imprensa em Camp David, residência oficial de campo da presidência americana, no estado de Maryland.

A declaração ocorre em meio à polêmica envolvendo o projeto da Fifa de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que ficaria responsável pela gestão das competições da entidade e buscaria captar cerca de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102 bilhões) por meio da comercialização de uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo.

Nesta terça-feira, 28, a Comissão de Ética do Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu não dar prosseguimento à denúncia apresentada contra Infantino. A representação, feita pela ONG Fair Square, acusava o dirigente de comprometer a neutralidade política durante a Copa do Mundo de 2026, mas o órgão concluiu que o caso está fora de sua competência.

Segundo o COI, as alegações dizem respeito à administração da Fifa, ao relacionamento da entidade com governos e à aplicação das regras da modalidade, temas que não são abrangidos pelo Código de Ética da organização olímpica.

Ligação com família Trump

A proposta ganhou repercussão também por causa da ligação entre o fundo escolhido para a operação e a família do presidente americano. Pelos planos apresentados por Infantino, a negociação seria conduzida pelo fundo de investimentos Thrive Eternal, controlado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Trump.

Apesar da proximidade política entre Trump e Infantino, o presidente americano afirmou que o assunto nunca foi tratado entre os dois.

Além disso, Fair Square questionou a proximidade entre Infantino e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre os argumentos apresentados pela ONG está a participação do dirigente da Fifa em um evento do chamado "Conselho da Paz", promovido por Trump, quando apareceu usando um boné com as inscrições "USA" e "45-47", em referência aos dois mandatos do presidente norte-americano.

Outro ponto citado foi a polêmica envolvendo o atacante Folarin Balogun. Durante a Copa do Mundo, o cartão vermelho recebido pelo jogador dos Estados Unidos foi anulado após uma ligação de Trump para Infantino. O próprio presidente americano afirmou ter interferido na situação.

Embora tenha confirmado que conversou com Trump sobre assuntos relacionados ao Mundial, Infantino negou qualquer interferência no processo disciplinar da Fifa.

O dirigente afirmou que recebe ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais e representantes do futebol com frequência, mas ressaltou que respeita a autonomia dos órgãos responsáveis pelas decisões disciplinares da entidade, independentemente de concordar ou não com os veredictos.

Projeto enfrenta resistência

As 55 federações filiadas à Uefa decidiram, em reunião de emergência, boicotar as competições da Fifa — incluindo a Copa do Mundo — caso o projeto seja mantido.

A oposição também foi apoiada pelas 35 federações da Concacaf, que votaram contra a proposta. Já a Confederação Asiática de Futebol (AFC) publicou uma nota alinhando-se às posições de Uefa e Concacaf. Segundo a entidade, se ao menos 16 de suas 46 associações nacionais rejeitarem o plano, os opositores passarão a representar a maioria das 211 federações filiadas à Fifa.

A resistência também chegou ao alto escalão da própria Fifa. Nesta sexta-feira, o indiano Carlos Cordeiro, principal assessor de Gianni Infantino, renunciou ao cargo em protesto contra a proposta de venda de participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo. Cordeiro integrava a entidade desde 2021.

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